Em mais um capítulo da longa espera pela conclusão do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete, conselheiros estaduais de saúde afirmam ter recebido, nessa quarta-feira (06/08), uma nova promessa do governo de Minas. A retomada das obras estaria prevista para o fim de agosto ou início de setembro. A informação foi repassada pelo secretário Estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, durante reunião plenária do Conselho Estadual, realizada em Belo Horizonte.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde de Lafaiete, Roberto Santana, que junto com o conselheiro Geraldo Heleno, esteve presente na reunião ao lado de outros representantes relatou, dessa vez com otimismo o compromisso que teria sido assumido pelo Estado. Segundo Santana, foi anunciado que a equipe de construção que atua no hospital de Divinópolis será deslocada para Lafaiete para iniciar o que chamam de “fase final” das obras do hospital.
“É uma notícia extremamente importante. Eu sei que as pessoas podem estar descrentes, porque isso já foi prometido várias vezes e não se concretizou. Mas dessa vez ouvimos diretamente do secretário, na plenária do conselho estadual. Então queremos acreditar”, afirmou Santana, que aponta a gestão do hospital após sua conclusão como o grande desafio a vencer.
Promessas antigas, futuro indefinido
A declaração chega pouco mais de dois meses após o próprio secretário estadual de Saúde admitir, em entrevista publicada pelo Fato Real (21/05), que o governo de Minas não tem, no momento, condições de assumir a gestão do hospital regional, mesmo que ele seja concluído. O titular da pasta alertou que o Estado ainda estuda qual modelo de administração será adotado. Seja via gestão estadual direta, consórcio intermunicipal ou parceria público-privada.
Na ocasião, o próprio secretário voltou a reforçar que a conclusão da obra está prevista para até 2026, com base em um novo cronograma da Secretaria de Infraestrutura. Agora, a fala de que a empreiteira será realocada de Divinópolis para Lafaiete reacende uma ponta de esperança, mas também alimenta a desconfiança popular, diante do histórico de promessas não cumpridas.
Gestão: o novo gargalo
Ainda que o canteiro de obras seja retomado, o maior desafio pode estar adiante. Sem definição clara de quem irá administrar a unidade hospitalar, a possibilidade de um “elefante branco”, não pode ser descartada. “A grande questão agora é a gestão desse hospital, e é isso que precisamos trabalhar a partir de agora”, alertou Roberto Santana.
O Hospital Regional de Lafaiete é uma demanda histórica da população da microrregião e teve sua construção iniciada há mais de uma década. O abandono das obras, a falta de verbas e os entraves administrativos transformaram o equipamento de saúde em símbolo da morosidade da máquina pública estadual.
Pressão social e política
O Parlamento Municipal têm cobrado sistematicamente o cumprimento das promessas do Executivo estadual. A nova previsão, embora cercada de dúvidas, surge como oportunidade para pressionar não só pela entrega da estrutura física, mas também por um modelo de gestão eficiente e transparente, que garanta o funcionamento pleno do hospital.
Enquanto isso, a população de Lafaiete e região segue enfrentando a superlotação, a escassez de leitos e a precarização do atendimento. Dilemas que um hospital regional funcional poderia sem dúvidas aliviar de forma significativa.
