Um estudo recente publicado na The Lancet Regional Health – Americas, renomada revista científica da área da saúde mental, revela uma crescente preocupação com doenças psicológicas no Brasil, especialmente entre jovens. A pesquisa, realizada pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) em colaboração com pesquisadores de Harvard, analisou quase 1 milhão de dados e encontrou um aumento significativo nas taxas de suicídio e autolesões entre 2011 e 2022.
Entre os jovens brasileiros, a taxa de suicídio cresceu 6% ao ano, enquanto a taxa de notificações por autolesões aumentou alarmantes 29% anualmente. Minas Gerais, segundo o DataSUS, é o segundo estado brasileiro com o maior índice de suicídio, ficando atrás apenas de São Paulo. Os dados são importantes para entendermos o nível da saúde mental da população e alertam sobre a necessidade de ações de prevenção ao suicídio.
Em entrevista ao Fato Real, a psicóloga e autora do livro “Quebrando o silêncio: Suicídio, precisamos conversar”, Brunna Tavares Souza, que atende em Conselheiro Lafaiete, lista sobre alguns sintomas comuns da depressão que podem ajudar as famílias a identificar o possível transtorno e buscar ajuda. “A gente às vezes acha que a pessoa com tendências suicidas é uma pessoa triste, que fica só deitada e não consegue fazer nada, mas não é bem assim, isso depende, podem ser pessoas alegres e encorajadoras e ainda sim serem depressivas. Mas há mudanças comportamentais mais comuns que podem ser sintomas como o isolamento, mudança alimentar, falta ou excesso de sono, negligência a higiene pessoal, aumento de uso de drogas ou álcool, irritabilidade, culpa, cansaço excessivo e dores crônicas pelo corpo”, explica.

Segundo a psicóloga é fundamental que familiares e amigos incentivem a pessoa com os sintomas a buscar ajuda de um profissional e que não banalizem ou julguem a situação, já que para superar os pensamentos e emoções negativas ter um ambiente de acolhimento é de extrema importância. Ela reforça ainda que o suicídio é um ato de pedido de ajuda. “Quem busca essa saída está tentando se livrar de uma dor e um sofrimento muito grande e não sabe como pedir ajuda. Essa pessoa não quer deixar de viver, ela que parar de sofrer, o que é muito diferente”, conta.
Entre os principais cuidados com a saúde mental estão o respeito aos limites do corpo e a necessidade de descanso, ter hobbies e tempo livre de qualidade sem a necessidade de uma produtividade excessiva, prática de esportes e um bom convívio social, mas o fundamental é falar sobre o que está machucando. “Se temos uma rede de apoio fortalecida é mais fácil passar pelos desafios. O nosso bem mais precioso é a vida e todos nós temos o poder de fazer a diferença para alguém, então é importante que saibamos ouvir o próximo também, muitos pacientes se queixam de que procuraram ajuda mas não são ouvidos e isso pode piorar a situação”, explica Brunna.
