O uso de um livro por estudantes da rede municipal de ensino de Conselheiro Lafaiete está dividindo opiniões entre pais, professores e comunidade escolar. Em um áudio que circula em diversos grupos, atribuído a um pai de aluno da Escola Municipal Marechal Deodoro da Fonseca, foram feitas críticas contundentes ao conteúdo de “O Menino Marrom”, obra escrita pelo renomado autor Ziraldo.
No áudio, o homem argumenta que, apesar da capa sugerir “temas de racismo”, o conteúdo do livro poderia induzir crianças a comportamentos inadequados. Ele cita trechos específicos que, segundo ele, poderiam incitar crianças a se mutilar e a praticar “maldades”.
Nara Avelar leu o livro junto com o filho de nove anos, estudante da Doriol Beato, e aprovou o seu conteúdo. “Isso é uma censura sem cabimento. Estão retirando trechos e imagens totalmente fora do contexto da obra”.
Houve reação de professores após a Secretaria Municipal de Educação emitir uma nota orientando a suspensão das atividades com o livro, em todas as escolas da rede municipal; o que alguns interpretam como um ato de censura a um dos grandes nomes da literatura infanto-juvenil brasileira.
César Willer de Souza Costa, professor de História, lembra que o livro é amplamente distribuído em todo o país. “A prefeitura de Lafaiete vai censurar uma obra de Ziraldo? Uma história que luta pelo entendimento de dois garotos para fortalecer a amizade independente da cor? Porque esta é a principal mensagem do livro”. César reafirma que como educador, gostaria que o livro continuasse a ser usado e os exercícios aplicados. E que o debate fosse para as salas de aula.
Em resposta ao Fato Real, a SEMED explicou que “O Menino Marrom” trata de questões raciais de maneira reflexiva e que uma leitura completa da obra é necessária para uma compreensão adequada. “É preciso uma leitura completa para melhor compreensão. Foram apresentados apenas fragmentos. Mas respeito a preocupação dos pais”, declarou a secretária adjunta de Educação professora Edilvânia Valéria Diniz.
“O ‘Menino Marrom’, livro do premiado autor infanto-juvenil Ziraldo, foi um dos primeiros a abordar com leveza e ludicidade a questão racial na literatura infantil brasileira. Além disso, censurar Ziraldo, um autor brasileiro consagrado, respeitado e premiado, parece ser um passo na direção errada”, comentou a professora e escritora Erica Araújo.

