No fim de semana, assistimos estarrecidos ao vídeo que mostrava quando, ao sair de um elevador, a nutricionista Larissa Duarte foi vítima de assédio sexual por parte do empresário Israel Leal Bandeira Neto. Ele apalpou as nádegas de Larissa contando com a proteção do automatismo do elevador para se esconder.
Ela, amparada por um colaborador do prédio, prestou queixa à polícia e divulgou as filmagens absurdas.
Esse caso é emblemático quando ele nos mostra a cara do assediador de mulheres: o homem absolutamente comum, que trabalha, tem família, tantas vezes casado e com filhos. No caso, uma filha de 4 anos, segundo fontes da internet.
A cara de Israel é a cara do homem comum. Perceber isso, talvez, possa demonstrar a quem não compreende o porquê da sensação de medo permanente das mulheres. Assediadores, estupradores, agressores e todos aqueles que nos vitimam diariamente, não são, em sua maioria, monstros com cara de vilão de filme classe B.
São o homem comum, de qualquer classe social, qualquer raça, qualquer religião, qualquer estado civil, qualquer naturalidade. É um homem qualquer, impossível de identificar em um primeiro olhar.
Pode ser o diretor da escola onde você trabalha ou estuda. Seu professor, ou seu aluno. Pode ser o pastor/ padre/ pai de Santo do templo que você frequenta. Ou o vizinho boa praça, casado e pai de menina. Pode ser o seu chefe ou colega de trabalho. Pode ser o seu pai, seu marido, seu irmão. Até mesmo seu avô.
A realidade comprova isso com dados que podem ser levantados com muita facilidade na internet. Ou apenas observando a vida bem-sucedida de Israel, que contou com a impunidade, lugar comum do assédio por vários motivos: por ser difícil de provar, pelo medo ou cansaço da mulher que decide não denunciar, até por temer a possível falta de acolhimento dos aparelhos públicos responsáveis.
Às vezes, por medo de ser descredibilizada pela própria família – ou ainda, acusada de “ter dado brecha” por parceiros. Muitos são os motivos que levam ao silêncio.
Não foi o caso. Larissa se revestiu de coragem e, podem ter certeza, a um custo alto para si mesma, que deve se refletir em sua vida pessoal, denunciou. Aplaudo-a por isso: na nossa sociedade machista, misógina e que maltrata as mulheres, em que o assediador pode ser qualquer um, nem todas nós temos essa força e disponibilidade.
Mas o fato indiscutível é: mulheres vivem com medo e assediador não tem cara. E isso deveria envergonhar grandemente os homens, enquanto classe, e fazê-los buscarem no campo coletivo e no campo individual, meios pelos quais parem de provocar tanta insegurança em nós.
É preciso que homens saibam identificar o que é assédio, quais ações consideradas comuns (como assobiar para mulheres na rua, puxá-las ou apalpá-las na balada etc.) são impróprias e devem ser combatidas. Porque uma coisa é certa – não se consegue combater o que sequer se reconhece.
Já é hora de sermos uma sociedade mais segura para todas as filhas de Vênus.
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
