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Dia da mulher e eu pergunto: e os homens?

8 de março de 2024
in Gerais
Dia da mulher e eu pergunto: e os homens?
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Aproxima-se mais um dia 8 de março e com ele as tradicionais opiniões diversas e conflitantes sobre a data: ainda há quem ache ser um dia de dar rosas, enquanto outros, como eu, defendem ser um dia de mobilização, reflexão e luta.

Sendo esse meu posicionamento, é importante falar uma coisa horrível sobre nossa cidade: somos campeões. Sim, tristemente campeões em número de casos de violência contra a mulher.

Até agosto 2023, metade dos feminicídios acontecidos nos 4 anos anteriores em nossa região foram em nossa cidade. Junto a eles, são centenas de casos de agressão, lesão corporal, ameaça etc., todos os anos.

Infelizmente, os números nos mostram que nossa cidade está longe de ser um local seguro para mulheres. Mais e mais de nós são vitimadas por variados tipos de violência explicitados na Lei Maria da Penha: física, moral, psicológica, sexual e patrimonial.

Há alguns dias relatei caso bárbaro em que o ex-marido, por considerar injusto ser cobrado pela pensão devida para o sustento do próprio filho, agrediu a ex-mulher na cabeça com um azulejo ao ponto de sujar de sangue a própria criança que assistiu a tudo.

Ele segue solto. A medida protetiva demorou para além das 48 horas previstas em lei e ela tem conhecido bem a sensação e insegurança tão próxima de mulheres que podem encontrar seus algozes a qualquer momento em uma esquina.

Porque a proteção da mulher vai muito além de um papel. Não adianta sacar um papel na cara de quem tem o objetivo de lhe matar – isso não vai impedir o ato. É esse medo que mulheres vítimas encaram diariamente. Portanto, o papel, que é importantíssimo, precisa ser acompanhado de medidas efetivas de proteção.

Por isso, considerando-se os nossos tristes e assustadores números, precisamos pensar e repensar quem somos e como somos enquanto cidade, enquanto sociedade.

Querem um exemplo? Ainda me recordo de uma dinâmica na escola, em que conversei com alunas adolescentes há alguns anos, e elas me externarem experiências em que foram incomodadas por homens na rua – às vezes até perseguidas ao ponto de precisarem se proteger em lojas. Algumas delas, meninas de 13, 14 anos.

Meninas que são instruídas desde cedo em casa sobre como agir e se protegerem de desconhecidos na rua. Como fingir que conversam com o pai ao telefone, como correr para estabelecimentos comerciais, se incomodadas na rua, como evitar, mesmo de dia, ao caminhar pela escola, passarem por determinadas ruas mais desertas.

Fico aqui me perguntando se é essa a sociedade que nós, lafaietenses de nascimento ou de coração, desejamos para nós, nossas mães, filhas, irmãs, sobrinhas, esposas…

Mais que isso. Pergunto aos homens, enquanto grupo: é assim que vocês desejam serem reconhecidos? Como aqueles que fazem parte do componente masculino que gera esses números enormes de violência?

Mas não adianta o sujeito dizer: “Mas eu jamais faria isso”. Individualmente, acredito nos homens corretos e que não contribuem para essa sensação geral de insegurança feminina já implantada até nas meninas em nossa cidade.

Porque essa insegurança não começa em virtude da tentativa de feminicídio, por exemplo. Ela começa nos pequenos gestos: no assobiar na rua ao passar por uma menina ou mulher que se ache atraente; no encarar fixamente e de forma constrangedora enquanto ela espera algo na rua; é o encostar de maneira inapropriada no transporte público; é no puxar pelo cabelo na balada; é no não saber ouvir “não” e seguir com a vida; dentre tantas outras atitudes que são consideradas comuns e apropriadas aos “machos”.

Por isso, queria falar diretamente aos homens. Mesmo que você não contribua individualmente com algum desses comportamentos reprováveis, coíbe seus amigos que porventura o façam? Se posiciona claramente quando o assunto dos assovios, por exemplo, é discutido ou se omite, ou ainda pior, é daqueles que defendem que a mulher hoje não sabe aceitar um “elogio”?

Há um dado importantíssimo que precisamos levar em consideração. Homens que possuem esse tipo de comportamento reprovável não ouvirão a mim, mulher, feminista, progressista. Não. Minha opinião para eles nada vale porque opiniões femininas, no geral, nada valem.

Mas a sua, vale. Esse tipo de homem somente é capaz de ser educado por outro homem.

Portanto, se você se considera mesmo como aqueles que não querem, de maneira nenhuma, contribuir para a insegurança, medo e violência contra a mulher, faça sua parte para além de dizer que você “não é desses”.

Contribua com a educação dos homens que lhe cercam.

Nota: Aproveitando, estejam de olho nos eventos programados para o Dia da Mulher em nossa cidade. Vamos ter acontecimentos no Tom Cultura Bar e na OAB. Fiquem ligados!

Profa. Érica
@ProfaEricaCL

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ERM



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