Essa semana recebi com preocupação a notícia de que três centros de saúde importantes em nossa cidade, a Maternidade, a FOB e o Pronto Atendimento da Unimed, estavam operando em capacidade máxima.
Eu, leiga, fico sabendo disso com cabelos em pé! Como assim? Meu susto é grande como eu acho que deve ser o de todos, afinal, isso significa menos segurança de que, ao necessitar, seremos atendidos.
Acende também o sinal de alerta: se três locais de referência em nossa cidade estão já repletos de pacientes, especialmente em virtude dos casos de dengue, como andarão os outros? Próximos ao limite de suas capacidades também?
Sendo esse o caso, há possibilidade de colapso em nosso sistema de saúde?
Desejo imensamente que não, ao mesmo tempo em que confesso não saber responder essa pergunta.
Mas me preocupa imensamente a maneira como a dengue tem avançado sem controle. Óbvio que existem fatores sobre os quais não temos ação imediata: o aquecimento global que causa clima extremo, que inclui chuvas excessivas e calor intenso – o paraíso para o Aedes Aegypti, cujos ovos poderiam aguardam cerca de um ano no seco para eclodirem na primeira chuva.
Imagine como está a reprodução nesse tempo úmido e quente que estamos enfrentando!
Porém, há outros fatores sobre os quais TEMOS poder de ação.
Um deles é permitir a entrada do pessoal da dengue, utilizando uniforme e claramente identificados, para que deem uma olhada no nosso quintal. Às vezes estamos tão saturados que não enxergamos o que olhos treinados podem ver.
Outra: cuidar com atenção de ralos internos. Observamos em casa que o banheiro estava sendo um local de foco – já utilizamos inseticida e estamos pensando em qual substância usar com alguma regularidade para que isso pare, já que meus ralos não tem o mecanismo de fechamento.
O uso de repelentes apropriados, que contenham uma das seguintes substâncias: Icaridina, DEET (N,N-dietil-m-toluamida) ou IR3535. Elas são mais indicadas para espantar, de fato, o danado do mosquito.
Na suspeita da doença, não usar anti-inflamatórios ou remédios que contenham AAS (ácido acetilsalicílico). São medicações muito comuns e que quase todo mundo tem em casa – mas podem piorar quadros de dengue.
Precisamos evitar a qualquer custo sobrecarregar ainda mais nosso sistema de saúde facilitando o atendimento aos que estão doentes e poupando nossos profissionais da exaustão física e psicológica, que conheceram tão bem durante a pandemia da COVID-19.
Caso seja necessário comparecer a uma unidade de saúde, ter PACIÊNCIA – nenhum local de atendimento de urgência ou emergência estará funcionando de maneira ideal devido ao grande fluxo de doentes. Ou seja, todos, desde atendentes aos médicos, passando por técnicos e auxiliares, estarão no limite.
Se houver 30 pessoas na sua frente, exceto que você esteja em estado grave, não justifica gritar e espernear para ser atendido, já que nenhum dos que espera está ali passeando – todos estão aguardando, fisicamente debilitados, como você.
Apenas exija o atendimento prioritário quando direito ou necessário. Nesse caso, se você é um daqueles 30 aguardando na fila, compreenda que se alguém chegar precisando de atendimento imediato, você deve agir com naturalidade pensando que se seu caso fosse gravíssimo, você também gostaria de ser passado na frente.
É preciso ainda cobrar presteza das autoridades de forma a minimizar o sofrimento da população com todas as ações necessárias. Haverá hospital de campanha? Estará em pleno funcionamento no prazo prometido? Há profissionais para visitação em domicílio em número suficiente? O fumacê está atendendo apropriadamente os bairros em uma lógica que leva em conta o número de infectados por vizinhança? Os números de denúncia estão funcionando? As denúncias então sendo apuradas? Os vereadores estão fazendo seu trabalho, fiscalizando e cobrando?
Precisamos fazer nosso papel de cidadãos, cobrando e observando.
Em um momento difícil como esse, cada um deve colaborar e mostrar o que há de mais humano em nós.
Como diz o hinduísmo: se a era é de ferro, com pessoas duras, grosseiras, desumanas – sejamos de ouro.
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
