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Era uma vez uma família feliz

22 de fevereiro de 2024
in Gerais
Era uma vez uma família feliz
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Em uma cidade não muito distante, havia uma família feliz. Pai, mãe e filhinho. Ele do Cruzeiro e ela do Atlético – era a maior divergência do casal, que fora assuntos futebolísticos, se entendia muito bem.

Tratavam-se com amor e desvelo. Ela o chamava de “Mô” e ele a chamava de “Minha Princesa”. Eram o suporte um do outro nas dificuldades da vida, coisa que nós, brasileiros, entendemos bem.

Quando, não mais que de repente, ela descobre uma suposta traição. Brigas e a fatal separação.

Cada qual para seu lado, mas, ainda tendo em comum meu amiguinho que já mencionei por aqui, no texto “Uma visita sincera”. Na época ele tinha 4 aninhos. Hoje, 6.

Para a mãe, como sempre, restam as maiores responsabilidades: arcar com o dia a dia do filho pequeno – educação, lazer, saúde, alimentação – enquanto trabalha. Para o pai resta pagar a pensão e pegar o filho alguns fins de semana por mês (quando muito).

Novamente, sem surpresas, o pai, antes amoroso, não cumpre o mínimo: tanto falha dias de visita, quanto não paga a pensão em dia, picando o mirrado dinheiro em uma constante humilhação para a mãe, que tem que implorar para receber o que é de direito do filho de ambos.

Lembro a todos que nesses meses, a mãe não deixou de prover a criança de alimentos e todas as suas demais necessidades movendo céus e terra para isso. Já o pai, mesmo que passasse vários momentos por bares, alegava falta de dinheiro constante.

Nessa alegação há um implícito “se vire” – como se vestir e encher a barriga do próprio filho fosse alguma espécie de favor para a mãe. Incrível pensar como tal irresponsabilidade é comum quando se trata de genitores. Parece haver certa amnésia coletiva quando da separação, como um “lavar as mãos” frente às responsabilidades que, também são suas, sobrecarregando as mães.

E não me venha dizer que há pais que agem corretamente porque pagam uma mísera pensão religiosamente, que mal cobre sua parte nos custos de sobrevivência de uma criança, a qual, muitas vezes, deixam esperando em dias de visita. Esses fazem muito menos do que a obrigação porque o cuidar de uma criança é mais do que 30% do salário mínimo mensalmente. Envolve coisas como afeto, presença, educação – mas esses não são obrigatórios por lei.

Mas os ausentes pagadores de pensão são, com certeza, os perfeitos pais de Instagram.

Porque pais de verdade priorizam os filhos, independentemente de terem ou não raiva das ex-mulheres. Porque a esposa/namorada/ficante pode ser ex – mas filho é responsabilidade permanente. São novos conceitos de família, parte da modernidade, mas que podem dar muito certo caso adultos ajam como adultos.

Porém, a queixa da falta de pensão – ou da pensão esmigalhada ao longo de um mês – é tão comum que chego a pensar que se toda mãe tomasse as devidas providências judiciais no tempo certo, não haveria sistema carcerário que aguentasse tanto genitor inadimplente.

Como o de nossa família, antes feliz. Esmigalhador de pensão, a mãe, já exausta de tanto ligar, foi até a casa dos ex-sogros onde o genitor estava morando após meses provendo para seu filho contando com dinheiro picado.

E o homem que, antes tratava-lhe de princesa, atacou-a pelas costas, na frente do filho de apenas seis anos. Com um pedaço de azulejo (segundo o pequeno) atingiu-a inúmeras vezes na cabeça enquanto dizia que se a matasse não teria que pagar mais pensão – como se o dinheiro fosse para ela.

O rosto do meu amiguinho ficou cheio de sangue da própria mãe. Vocês podem mensurar o tamanho do trauma?

A polícia foi acionada, mas não compareceu nem na cena, nem no hospital para onde ela se dirigiu, após esperar. Esvaía-se em sangue e precisava de cuidados médicos.

Os policiais compareceram posteriormente e fizeram busca pelo quase feminicida, mas não o encontraram. Permanecem procurando. No dia seguinte, com a cabeça cheia de pontos e a alma quebrada, a mãe foi à Delegacia de Mulheres, onde foi acolhida e pôde ter seus direitos resguardados.

Em endereço não revelado, aguarda que o ex seja preso.

Ele, finalmente conseguiu o que queria – não vai, do próprio bolso, pagar pensão. Terá, antes, que se entender com colegas presidiários.

E assim termina, de maneira revoltante e asquerosa, o caso da família feliz.

Mas não termina o caso da mãe que provê – porque ela permanece lá para o filho, independentemente de qualquer coisa. Independentemente do pai, da exaustão, da doença, do desemprego, do apoio.

Sempre elas. Sempre nós.

Profa. Érica
@ProfaEricaCL

 

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