É ano novo e as pessoas, muitas vezes, gastam horas e horas pensando em novas metas e novos planos. Ir à academia, fazer a dieta, ser uma pessoa melhor, fazer aquele curso etc. Alguns até escrevem listas.
Pessoalmente, sou radicalmente contra isso. Sou contra a ideia de que novos planos devam ser pensados e/ou postos em prática no ano novo ou, ainda, às segundas-feiras.
Por quê?
Porque realmente acredito que devamos estar abertos às boas coisas todos os dias.
Por que se limitar tanto ao pensar em coisas que seriam transformadoras para o bem para si mesmo e seu entorno? Por que apenas no ano novo vamos estabelecer a meta de ter mais paciência com aqueles que estão ao nosso redor? De começar a educação alimentar, a academia? De procurar um caminho espiritual/filosófico que nos eleve?
Por que não se poderia pensar e começar a executar um belo plano de mudança para melhor em nossas vidas numa quarta-feira de tarde, às 15h17min?
A impressão que tenho é que nossa preguiça conosco mesmos – ou as adversidades da vida – nos levam a ter datas preferidas para transformações, o que nos impede de termos o alvo permanente da melhora e de estarmos abertos às boas mudanças e às novas ideias sempre.
Não é que acho que a vida não deva ter estabilidade. Não é isso.
Porém acho que devemos perder o costume de seguirmos de olhos quase permanentemente fechados para nós mesmos e nosso entorno. Olhos que apenas se abrem no ano novo ou às segundas-feiras.
Fico me perguntando se isso não seria um pouco de falta de amor por si mesmo e pela sua vida. Desamor causado pela nossa inegável necessidade de nos mantermos vivos, não raro em empregos extenuantes, fazendo contas para pagar boletos e engolindo sapos porque precisamos manter nosso posto de trabalho.
Reconheço a necessidade de pagarmos por nossa própria manutenção e não sou aquela “gratiluz” que dirá que é preciso manter “a energia vibrando alto sempre” – seja lá o que isso queira dizer.
Haverá dias em que estaremos cansados, rabugentos, mal-humorados – e isso também faz parte desse mundo corrido e colapsando em que vivemos. Acho mesmo que se alguém está sempre de bom-humor é porque lhe falta visão crítica.
O que quero dizer é que, mesmo em meio às vicissitudes da vida, na nossa correria diária podemos e devemos encontrar um tempo para nos amarmos e prestarmos atenção a nós mesmos e às nossas próprias necessidades de mudança para melhor.
Mesmo em uma quarta-feira de tarde.
Se eu sei que preciso ser mais paciente, por que esperar o ano novo? Se preciso cuidar da minha saúde, por que esperar até segunda-feira para começar na academia? Se meu exame de sangue não está uma maravilha, por que esperar para começar a educação alimentar apenas semana que vem?
Que tal elegermos todos os dias como os dias ideais para mudanças para melhor?
E lembrando sempre: piorar também é mudar algo – mas esse jamais deve ser nosso objetivo.
