Quase três anos após sentir a dor de perder um ente de forma tão violenta, a família de Thaís Cristina Gomes Pereira, vive a expectativa de ver a Justiça ser feita. Está agendado para a próxima quarta-feira, 8 de novembro o julgamento do homem que tirou a vida da jovem, aos 17 anos, de forma cruel.
O crime ocorreu no dia 20 de janeiro de 2021, na localidade Melo, zona rural de Capela Nova. O autor, Edse Guilherme Pereira (40) era ex-namorado da vítima. “Thais foi vítima de um bárbaro feminicídio, morta com diversas pauladas na cabeça”, diz o advogado da família da vítima, Pedro Bianchetti Silva Oliveira.
O autor foi preso em flagrante e se encontra preso até os dias de hoje. A denúncia, ofertada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, imputa ao réu um homicídio duplamente qualificado (meio cruel e feminicídio) e o julgamento, pelo Tribunal do Júri da Comarca de Carandaí, será no próximo dia 8 de novembro, a partir das 8 horas. O julgamento é aberto ao público.

“Penso ser de grande importância da participação da sociedade nesse julgamento, haja vista que diariamente convivemos, infelizmente, com diversos casos de feminicídio e o reflexo disso é muito negativo. Os pais dela estão, como é de se esperar, arrasados, mas confiam plenamente na Justiça e esperam a condenação do réu, assim como a acusação”, conclui o advogado Pedro Bianchetti Silva Oliveira.

A mãe da Thaís, Erenilda, construiu uma capelinha no local onde o crime ocorreu, numa homenagem à filha.
Repercussão
A vereadora lafaietense Damires Rinarlly comentou sobre o julgamento, destacando que à época do crime estava sendo planejada a implementação do centro de referência da mulher e a casa abrigo em Lafaiete. O Centro foi inaugurado, contando com recursos destinados pelo então deputado estadual Glaycon Franco. A casa abrigo está em fase de análise do projeto para implementação junto a Secretaria de Desenvolvimento Social e de outros 5 municípios vizinhos.
A vereadora analisa a importância da Justiça em casos como. Principalmente pra romper ciclos de violência doméstica. “Dói nosso coração e todas nós mulheres sentimos quando alguma outra é violentada. Nossas vidas, nossos corpos, nossas famílias não são propriedade de ninguém para ser brutalmente retiradas. Sinto muito pela família da Thaís. A violência contra mulher é uma luta diária de toda a sociedade e também deve ser da justiça. Esperamos que ela seja feita com todos os rigores da lei”.
Relembre o caso
Segundo o pai da vítima, a filha havia saído de casa pela manhã no dia 20/01//2021 não avisando para onde estaria indo; posteriormente, mandou mensagens via WhatsApp dizendo que ia encontrar com o ex-namorado. O casal tinha terminado o relacionamento há aproximadamente 15 dias.
Ainda no mesmo dia, o homem enviou áudios ao pai da ex-namorada. Em uma das mensagens ele pedia para que ligasse para o SAMU depressa, “porque Thaís havia caído de moto”. Para um advogado, Edse teria ligado relatando ter se envolvido em uma desavença com Thaís, vindo a ocorrer uma agressão.
Na casa do ex-companheiro foram encontrados um par de botas sujas de sangue e um celular com conversas com Thaís. No aparelho, os policiais encontraram diversas ameaças do autor à adolescente. Ele confessou a autoria do crime para os policiais. Foi localizada a arma utilizada no crime, um pedaço de madeira semelhante a um porrete, com vestígios de sangue.
