Primeiro éramos eu e Patrícia por alguns anos. Conhecemo-nos quanto tínhamos 11 anos e estávamos no sexto ano no Colégio Municipal de Belo Horizonte.
Entre idas e vindas, nos tornamos melhores amigas como apenas crianças podem ser. Depois, chegaram Rodrigo e Guilherme, já no ensino médio, no mesmo colégio.
Viramos dois grupos: as meninas, que andavam juntas; os meninos que andavam juntos; e eu que transitava entre eles. Muitas vezes nos uníamos em um único grupão com mais meninas e outros meninos.
Mas o núcleo permanecia ao redor dos mesmos quatro/cinco amigos.
Com os meninos, joguei minha primeira partida de RPG e algum tempo depois, fui a primeira mulher a narrar partidas em convenções em BH, encarando muito machismo e nariz torcido.
Eles estiveram presentes quando tive meus primeiros amores; senti meus primeiros desejos; quando morreram meus avós, Luísa e Norval; quando me casei; quando tive meu filho.
Estão presentes hoje, cerca de 30 anos depois.
Sim, continuamos amigos. Rodrigo, o Gui; Guilherme (cujo apelido, que começa com Ca*, não vou dizer senão corro risco de vida); Patrícia, a Paty e eu.
É engraçado como que cada um me chama por um nome: para o Gui, sou Érica. Algumas vezes, Eriquinha. Para a Paty, sou a Quinha; para o Ca*, Chica ou Chiquinha.
O fato é que nós poderíamos ser até o começo de uma piada: um físico, uma psicóloga, um engenheiro e uma professora entram em um bar… consigo imaginar dezenas de histórias que começariam assim. Porém, somente uma muito especial começaria quando o físico, a psicóloga, o engenheiro e a professora eram apenas o Gui, o Ca*, a Paty e a Quinha.
Incrível, como cada um de nós representa algo diferente para cada um dos demais, mas em conjunto temos um chamego, um querer bem, um amor infinito. Grande o suficiente para durar décadas, encarar silêncios e retomadas, e persistir.
Quantas pessoas podem dizer que possuem os mesmos amigos há tanto tempo? No meu caso, desde antes da minha primeira menstruação.
É claro que a vida nos trouxe outras amizades, tão importantes quanto. Amizades que amamos e que fazem parte de nosso dia a dia há muitos anos, cada qual com seu brilho e lugar cativo no coração. Todos desenvolvemos novos círculos, especialmente porque moramos, hoje, em cidades diferentes. Mas aquela chama que se acendeu em nossa infância/adolescência permanece.
É incrível como amamos aqueles que são nossas testemunhas.
Sim, somos testemunhas uns dos outros, de nosso crescimento, de nossos erros e acertos, de nossos “foras”, de nossos sofrimentos e felicidades.
Somos testemunhas do que a vida nos tornou.
E sabe o que é melhor? Gostamos do que vemos e amamos ver que nosso dedinho está ali, não apenas nos corações, mas gravados nas almas uns dos outros como apenas amizades verdadeiras podem fazer.
Pego-me emocionada escrevendo. E ansiosa para que eles leiam.
Porque esse texto é uma declaração de amor – e declarações de amor são para serem conhecidas. Especialmente pelos seres amados, que no meu caso, fazem parte da família que escolhi.
Meus amigos de infância. Amo vocês!
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
