O delegado da Polícia Civil que atuava no município de Carandaí, Itamar Claudio Neto, se manifestou nesta segunda (18) sobre o caso envolvendo a escrivã Rafaela Drumond. Ela tirou a própria vida no dia 9 de junho, no distrito de Antônio Carlos, na região do Campo das Vertentes.
Em áudios e vídeo feitos por ela, divulgados após sua morte, a escrivã denuncia ter sido vítima de assédio na delegacia onde trabalhava, em Carandaí.
O delegado Itamar Claudio Neto, superior de Rafaela Drumond, foi indiciado pelo crime de condescendência criminosa, isso é, quando o chefe de uma repartição pública deixa de aplicar a punição legal para a infração de um funcionário ou não leve a questão a conhecimento da autoridade competente. A pena em caso de condenação é de 15 dias a um mês de prisão ou multa. No entanto a defesa do delegado afirma que o indiciamento será rebatido em hora oportuna.
A nota
Segundo nota enviada ao portal Carandaí on line, através do seu advogado, José Maria Fortes de Carvalho, o delegado esperou, com serenidade e isenção, o término das investigações, “sem proferir qualquer tipo de ofensa, constrangimento ou acusação à qualquer pessoa ligada à escrivã, não obstante ter sido acusado e ofendido, sem qualquer prova, por pessoas ligadas ao círculo de Rafaela, e pela sociedade comovida com o trágico acontecimento”.
A nota ainda afirma que: “Pelo apelo midiático e pressões políticas, o Dr. Itamar sofreu sanção administrativa, pela transferência da Depol de Carandaí para a Depol de Belo Vale, de forma sumária. Contudo, a verdade veio à tona com a conclusão do inquérito, que apurou a inexistência de indícios de que a escrivã tenha sido induzida, instigada ou auxiliada ao suicídio”.
Em outros trechos da nota, o advogado José Maria Fortes de Carvalho cita que o desentendimento entre Rafaela e o investigador citado no processo não teve vínculo com o autoextermínio, vez que se deu há quase um ano antes, e jamais voltou a ocorrer. A nota afirma que após exaustiva investigação não foram comprovados nos autos quaisquer condutas do delegado que tipifiquem assédio moral ou sexual em desfavor da escrivã. E que a defesa aguardará a posição do Ministério Público Estadual e da Justiça da Comarca de Carandaí, e, em ocasião oportuna, buscará na justiça, procedimentos próprios contra as acusações recebidas.
E por fim, é dito que as provas dos autos deverão, após a quebra do sigilo, e autorizadas pela Justiça, serem reveladas à sociedade, para que a imprensa e a opinião pública façam seu juízo de valor sobre os reais motivos que levaram a escrivã ao autoextermínio, relatados pela própria Rafaela, em uma carta de despedida destinada à família e amigos.
Fonte: Carandai on line
