Andressa é deficiente visual e tem dois filhos com deficiências múltiplas: Emanuelle de 13 anos e o Josepher de 11 anos. Ambos diagnosticado com autismo, deficiência visual e síndrome da microdeleção do cromossomo 20.
Para quem pensa que Andressa se entrega a resposta é não. Ela luta pelos direitos da sua família e de outras tantas que têm pessoas com deficiência (PCD). Andressa Rossaine tem 35 anos, é vice-presidente da Associação das Mães Unidas pela Deficiência (AMUPD), formada por mães de crianças e adolescentes com deficiências diversas e que lutam pela inclusão de seus filhos. Andressa defende que as pessoas com deficiência sejam vistas com equidade “é preciso quebrar o tabu, principalmente na deficiência intelectual e nas deficiências múltiplas, porque esses cidadãos e cidadãs são julgadas e taxadas como quem não tem potencial para evoluir”, afirma a vice-presidente.

Andressa tem um lema: a pessoa com deficiência pode estar onde e no lugar que ela quiser. “A AMUPD se dedica a denunciar quando for preciso, cobrar dos poderes políticas públicas para que as pessoas com deficiência não fiquem desassistidas ou seja, fazer com que todos os setores estejam prontos para incluir a pessoa com deficiência”.
Até domingo (27) acontece a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que este ano tem o tema “conectar e somar para construir inclusão”. De acordo com a psicopedagoga Ana Paula Souza, quando as pessoas entendem as dificuldades enfrentadas por indivíduos com deficiência intelectual e também seus familiares, é mais provável que trabalhem para criar ambientes que sejam acessíveis e acolhedores para todos.
Avanços e desafios

A vice-presidente da AMUPD analisa que houve alguns avanços em Lafaiete, mas ainda há muito a ser feito para a inclusão e equidade da pessoa com deficiência. Positivamente ela avalia o Núcleo Municipal Especializado de Reabilitação e a presença das Monitoras de Educação Inclusiva (MEI); porém necessitando de melhorias. “Hoje a demanda em relação a monitoria já diminuiu em Conselheiro Lafaiete, no entanto é preciso capacitação de quem está ao lado da pessoa com deficiência na escola. É preciso um envolvimento e acolhimento de toda a comunidade escolar para que o aluno com deficiência tenha segurança, e nisso temos muito o que avançar”, avalia.
“Garantir a inclusão efetiva de pessoas com deficiência intelectual na educação é um desafio e exige foco em algumas áreas que considero cruciais” explica a psicopedagoga Ana Paula Souza. “Em primeiro lugar, políticas públicas bem elaboradas são essenciais para assegurar acesso igualitário a uma educação de qualidade e obviamente com recursos adequados. Além disso, é fundamental investir em programas abrangentes de formação para educadores, capacitando-os a criar ambiente de aprendizado inclusivos”, explica.
A profissional destaca que cada indivíduo é único, porém com avaliação cuidadosa das suas habilidades e adaptação de estratégias de aprendizagem, terapias psicopedagógicas muitos conseguem superar barreiras. Com foco em pontos fortes, desenvolvimento de habilidades e autodeterminação, indivíduos com deficiência intelectual têm potencial para conquistas notáveis em educação e carreira, promovendo sua autoestima e integração.
