segunda-feira, fevereiro 9, 2026
  • Sobre
  • Política de privacidade
Fato Real
Congonhas PMC
CET
SICREDI
Hemolab
SENAC
  • Home
  • Notícias
    • Gerais
    • Lafaiete
    • Regional
    • Polícia
  • Empregos & Concursos
  • Obituário
  • Contato
No Result
View All Result
Fato Real
No Result
View All Result

A política local e o asfalto da minha rua

14 de julho de 2023
in Gerais
A política local e o asfalto da minha rua
Share on FacebookShare on Twitter

Tenho participado de alguns grupos de discussão política, inclusive, mantenho um no WhatsApp por puro interesse pelo tema. E o que tenho observado?

A manutenção da divisão Lula X Bolsonaro – como se o primeiro já não estivesse eleito e o segundo inelegível. Ampliando o leque, vejo também um pseudo-debate sobre direita e esquerda – mas se perguntarmos o que quer dizer cada termo, raramente obteremos uma resposta minimamente correta.

Muitos confundem direita e esquerda com a pauta de costumes, quando, se formos considerar os termos que, para muitos estudiosos já estão ultrapassados, eles remetem à pauta econômica. O velho embate entre o liberalismo econômico (direita) em todas as suas formas (da escola de Chicago ao bem-estar social da escola de Estocolmo) e as grandes economias estatizadas com governos grandes e que centralizam o controle da área econômica em suas próprias mãos (esquerda).

Porém, na cabeça do eleitor, reina uma grande confusão: a direita aparece como a defensora da família, da religião (cristã), e da pátria e a esquerda seja, talvez, o oposto disso (seja lá o que for). Com isso a pauta de costumes, que se divide em, de maneira simplista, reacionários, conservadores e progressistas, vira o tópico político mais importante do que se tenho saneamento básico, se a rua da minha casa é asfaltada, se tem médico no posto e professor na escola do meu bairro.

A cabeça de algumas pessoas implodiria ao saber que muitos do que se chamaria de direita aqui no Brasil, os liberalistas econômicos, são pró-liberdades individuais e pensam que pauta de costumes é de foro íntimo e que é papel do Estado garantir que cada qual siga com sua vida do jeito que achar certo, dentro dos limites da lei.

Por exemplo, sabe o Partido Conservador lá da Inglaterra, constituído de defensores conservadores do liberalismo econômico, como Margaret Thatcher e Winston Churchill, lançou em 2012 uma campanha em prol do casamento gay. Inclusive, a Igreja Anglicana, da qual o Rei Charles III é o líder, permite e celebra casamentos assim.

Porque liberalistas, mesmo muitos conservadores mundo afora, pensam que dentro dos limites da lei, o que cada cidadão faz em sua vida privada é problema dele ou dela. Impostos pagos, tudo certo e direitos garantidos. Quem se coloca contra esse tipo de pauta, que no Brasil está atrelada à esquerda, não é conservador: é reacionário, quer o retrocesso de colocar os LGBTQIA+ no armário – ou na prisão, como ocorre em países teocráticos.

Ou seja, há uma grande confusão de conceitos e uma miscelânia difícil de desembaraçar na cabeça do eleitor.

Mas essa confusão, reconheço, não é exatamente “culpa” da população. É também interesse dos políticos que a fomentam garantindo para o país uma educação ineficiente e, com ela, que se mantenha a lambança sobre temas políticos oportunizando a eleição das mesmas velhas raposas ou de jovens que as representam.

É interessante para os maus políticos que as pessoas pensem que defender os direitos de minorias sociais, seja dos LGBTQIA+, seja das mulheres, seja dos negros, das pessoas com deficiência retirará de si seus próprios direitos – mesmo que isso esteja longe da verdade.

Por exemplo, já ouvi alguns evangélicos falando que querem obrigar as igrejas a casarem casais do mesmo sexo. Isso nunca foi pauta! E o casamento gay no Brasil já é aprovado há tempos onde tem que ser: nos cartórios. Porque em um estado laico, o governo não tem direito de dizer qual tipo de casamento deve (ou não) acontecer dentro de templos religiosos de qualquer fé.

Ou seja, planta-se uma confusão de temas para que as pessoas se sintam pessoalmente atingidas e passem a defender o político que as salvará da decadência moral da sociedade.

Ano que vem teremos eleições municipais. Aí vemos mais uma vez como essa confusão de conceitos e temas deixa as pessoas vulneráveis aos maus políticos.

Por isso, eu pergunto: de que adianta votar em um político que defenda pauta de costumes como sua bandeira principal se não temos saneamento básico em todas as casas de nossa cidade? Se não temos transporte escolar para todas as crianças, incluindo as com deficiência? Se não temos um transporte público eficiente? Se não temos a valorização e expansão do comércio local? Se não temos ações de incentivo à agricultura familiar? Se não temos médico no posto do bairro?

Se na rua da minha casa não tem asfalto?

Assim, peço ao eleitor, não que esqueça o que considera importante para si moralmente. Mas que passe a pensar no que realmente importa coletivamente para a política e para os políticos que vamos escolher: nosso bem-estar enquanto população.

E só conseguiremos melhora nesse campo quando passarmos a eleger políticos que, para além da pauta de costumes, saiba qual papel deve executar na administração pública, seja no campo executivo (prefeito), seja no legislativo (vereadores).

Esbravejar que se defende a família qualquer um pode fazer. Realmente saber como trabalhar para melhorar nossa qualidade de vida, não.

Pensemos nisso já, desde agora. Não deixemos apenas para o ano que vem.

Profa. Érica
@ProfaEricaCL

UniFASar

ERM



Ponto de Partida

Fato Real

Copyright © 2026 Fato Real Desenvolvido por KONSTRUKTAPP.

  • Sobre
  • Política de privacidade

Siga nossas redes

No Result
View All Result
  • Home
  • Destaque
  • Lafaiete
  • Empregos & Concursos
  • Gerais
  • Polícia
  • Obituário
  • Regional

Copyright © 2026 Fato Real Desenvolvido por KONSTRUKTAPP.

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.