Quem nunca ouviu falar das aventuras de um fusca e seu dono? O filme “Se meu fusca falasse” foi lançado na década de 60 e seguiu conquistando diversas gerações, com a história do piloto Jim Douglas e seu fusca Herbie.
Porém, ao invés de fusca, o advogado lafaietense Reginaldo Braga Vieira tem um Fiat Prêmio 86 pelo qual nutre grande amor.
E o Fiat xodó do Reginaldo, enfim conquistou a famosa placa preta, a chamada placa de colecionador, e segundo os vistoriadores do Clube de Autos Antigos Rota Real ele é o primeiro Fiat Prêmio da região do Alto Paraopeba a receber a honraria.
“Existem outros veículos com placa preta na região, mas Fiat Prêmio foi o primeiro. Se olharmos no Brasil inteiro, são poucos os exemplares deste modelo que possuem tal placa, pois, por ter um porta-malas muito espaçoso, o carro foi utilizado para trabalho, até mesmo porque é um carro econômico e de fácil manutenção. No dia que foi feita a vistoria, um dos vistoriadores me disse, que dificilmente veria outro Prêmio tão conservado como o meu,” revela com orgulho Reginaldo ao Fato Real.
A placa preta é destinada aos veículos com relevante valor histórico. É uma forma de identificar os veículos antigos que estão em ótimo estado de conservação. O carro precisa estar com 80% dos itens e peças originais e com mais de 30 anos de produção.
A história do Reginaldo com o Fiat Prêmio começou em 1997 poucos antes do aniversário de 18 anos. “Ele era muito conservado, mas confesso que no início achava o design do carro um pouco angular. Com o tempo fui criando vínculos afetivos com ele. Apesar de já ter saído de linha há bastante tempo é um carro confortável, com boa estabilidade, macio, sem contar que é um sedan”, avalia.
O tempo se passou e os palpites crescendo. Foram feitas algumas tentativas de separar o Reginaldo do Fiat Prêmio: “ouvia muitas críticas por andar em um carro velho. Diziam que eu deveria comprar um carro mais novo, outros falavam que vender logo era a solução porque depois não faria negócio com ele”, lembra o advogado.

A placa preta tornou-se um objetivo para o proprietário. No entanto um empecilho era o estofamento que necessitava reforçar, só que o tecido não é encontrado no mercado de reposição. Porém, em um desmanche Reginaldo conseguiu o que queria, e o amor pelo carro é tanto que ele costurou os remendos a mão.
Com o carro pronto, ele passou pela vistoria e no último dia 03 de julho recebeu a Declaração de Valor Histórico para Veículos para orgulho do Reginaldo. “Em todo lugar que passo as pessoas pedem para tirar fotos, fazem comentários sobre a placa preta”, diz o feliz proprietário, que comprou um novo carro para circular. “Até porque a relíquia tem que ficar bem guardada”, diz.

N.R: Matéria revisada e atualizada em 09/07.
