E crescemos, mesmo! Somos hoje 131.621 habitantes, tanto lafaietenses, quanto residentes. Inclusive, estamos entre as dez cidades que mais cresceram na Zona da Mata e Campo das Vertentes.
Quando me mudei para cá, após meu casamento, 25 anos atrás, a cidade era bem diferente. Merecia mesmo o título de “dormitório”. Hoje, não. Mesmo que ainda possamos melhorar muito, temos universidades, cultura, várias opções de lazer.
Ainda me lembro de quando namorava meu marido e vinha para cá. A única diversão era sair do São João a pé até a “praça” entrar em um botequim, comprar bebida e sentar nos meios-fios e bater papo – para depois retornar caminhando, porque não havia ônibus aquele horário. Ou então, de raro em raro, assistir a algum show de rock de bandas de rapazes animados e cabeludos. Era sempre animado para mim, vinda de uma família conservadora que não permitia certas diversões, como ir a shows de “música mundana”.
Talvez por isso, pouco depois que me casei, formamos, meu marido e eu, a nossa banda, a Achilles, que tocava covers de medalhões do Heavy Metal tradicional, como Black Sabbath, Iron Maiden, Led Zeppelin, Judas Priest. Uma mulher cantando Metal por aqui era uma novidade e ainda me lembro da fila de “headbangers” (vulgo, metaleiros) de braço cruzado na frente do palco em nosso primeiro show. Braços cruzados que demoraram muito pouco a se descruzarem e virarem um “mosh pit”. (Para quem ficou curioso, deixo ao final dois links de apresentações: em uma delas tocando com nosso saudosíssimo Léo Japa).
É fácil constatar que algumas coisas mudaram muito em nossa cidade – e nem adianta dizer que Lafaiete não é minha também, porque é. Por direito, inclusive. Por usucapião, até. Amo nossa cidade, o que não me torna cega aos seus defeitos – inclusive aqueles que persistem por anos e anos.
Alguns persistem desde a época em que mudei para cá: transporte público deficiente e caro, asfalto vergonhoso, conservação da cidade muito ruim, baixa valorização dos movimentos culturais locais (melhorou, sim, mas longe do ideal) – e a saúde? Essa, um verdadeiro caos. Na UBS do meu bairro não tem médico e nem administrativo: as técnicas e auxiliares têm que se desdobrar para dar conta dos registros, das vacinações e de todo o resto.
Fiquei um pouco envergonhada, confesso, quando em Congonhas, precisando de atendimento após ser ameaçada por um aluno, liguei na UBS do bairro da escola e fui acolhida com a seguinte resposta: “Professora, temos dois médicos aqui. Pode vir que um deles vai te atender”.
Dois médicos! E no meu bairro, nenhum – assim como em tantos outros bairros de nossa Lafaiete. Se falarmos de especialistas, então, a coisa complica. Um amigo necessitando renovar a receita de medicação psiquiátrica para controle de TDAH foi informado de que não contamos mais com psiquiatras no SUS da cidade e que outros especialistas também estavam de saída.
131.621 pessoas que não podem contar com o atendimento de médicos especialistas de várias áreas. E quem não tem plano de saúde? E quem não pode pagar? E quem depende integralmente do SUS?
Temos hoje a educação em greve em busca de valorização e salário. Problemas de tráfego e deslocamento.
Enfim. Crescemos em número de habitantes e é impressionante perceber como os problemas permanecem ou se multiplicam.
Por isso, afirmo sem o menor pudor: nós, que amamos Lafaiete, carecemos muito de prestar mais atenção na política local, por mais que pareça entediante, porque é de lá que surgem as soluções – ou a manutenção dos problemas.
Fazer isso é demonstrar de maneira prática amor por onde moramos porque, dependendo de como votarmos e de como cobrarmos, teremos o desenvolvimento de políticas públicas que tornarão nossa cidade melhor, mais acolhedora para nós mesmos e para os outros que virão.
É importante lembrar que a política está desde o asfalto (ou na falta dele) até na maneira como somos tratados (ou destratados) em hospitais e repartições públicas. Está na merenda escolar e na qualidade da educação. Está no transporte público e no incentivo à agricultura familiar. Está em tudo o que realmente importa em termos de urbanização e serviços de qualidade para todos.
Por isso, deixo logo o convite: vamos nos inteirar mais do que acontece no campo político de nossa Lafaiete? É nosso direito e dever como cidadãos que querem mais, querem o retorno de seus impostos de maneira justa e apropriada para todos.
Shows da minha antiga banda.
Gravações precárias, mas “êita” lembranças boas!
Banda Achilles no Rising Metal Fest, organizado pelo nosso querido Anderson Sabazinho: Érica (voz), Léo Japa (guitarra e voz), Luís Paulo (guitarra), Sandinho (bateria) https://www.youtube.com/watch?v=PwbyuwxJYak&t=132s
Banda Achilles no Heavy Fest, também organizado pelo Anderson Sabazinho: Érica (voz), Nilson Lima (guitarra), Mário Barros (baixo) e Sandinho (bateria): https://www.youtube.com/watch?v=QcI4cUSJVcE
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