“As divergências de opinião não devem significar hostilidade”. A frase grafada na parede do plenário, não se refletiu entre os vereadores nesta desta terça-feira (20/06), na Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete. A sessão ordinária foi tensa e teve cenas lamentáveis testemunhadas por servidores municipais, imprensa e outros cidadãos que acompanhavam presencialmente ou pela transmissão pelo canal do YouTube.
O clima ficou tenso antes mesmo de iniciada a Ordem do Dia, quando a vereadora Damires Rinarlly (PV), que tentou, sem sucesso, impugnar a ata da sessão anterior, confrontou o presidente da Casa, Vado Silva (DC). Vado acusou a colega de falta de ética por criticá-lo nas redes sociais e mídia; em resposta, Damires repetiu que o presidente vem, reiteradamente, cerceando o seu direito de fala.
Durante a leitura do Expediente, foi a vez de o vereador Giuseppe Laporte (MDB) intervir abruptamente, cobrando explicações de Damires, que classificou de deturpada e mentirosa a ata da sessão da Câmara de 15 de junho por não incluir o impedimento a ela de se pronunciar após o horário regimental. Giuseppe também investiu contra o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Valdney Alves, que assistia à reunião da plateia, acusando-o de colocar a categoria contra os vereadores e ameaçar usar a mídia para difamar o Legislativo lafaietense.
Quando os ânimos pareciam mais serenados, irrompeu nova polêmica, ainda mais acirrada. O vereador Pedro Américo (PT) e o líder do governo, João Paulo Resende (UNIÃO), protagonizaram uma troca de insultos e impropérios quando se discutiam os efeitos do travamento da pauta e a posterior desobstrução, decidida com a discordância de cinco dos 13 parlamentares na última quinta-feira (15). No calor da argumentação, Pedrinho acusou João Paulo de demagogia e se colocar ao lado dos chefes do Executivo, usar a Prefeitura e “pular do barco quando está afundando”. Em resposta, ainda tentando manter o autocontrole, João Paulo sugeriu que o colega estaria se deixando levar pela emoção dos aplausos recebidos do público ao lhe dirigir acusações infundadas. Depois, visivelmente exaltado após ser chamado de mentiroso, disse que Pedrinho é artista, que “gosta de se fingir de coitadainho”, mas deveria estar na TV.
A discussão levou o presidente Vado Silva a interrompeu a sessão, retomada 10 minutos mais tarde, já com as tensões aliviadas.
O saldo da sessão desta terça-feira e a constatação de que Lafaiete tem um Legislativo completamente dividido e que esta cisão tende a ficar ainda mais evidente à medida em que se aproximarem as eleições municipais de 2024.
