Estamos vivendo o Abril Laranja, mês em que se ressalta a importância de prevenção à crueldade animal. Ex-vereadora por Lafaiete e conhecida nacionalmente por sua atuação em defesa dos animais, a veterinária Carla Sássi afirmou que o objetivo do Abril Laranja é conscientizar os tutores e o público em geral no sentido de evitar o sofrimento dos bichos: “É claro que espancar o animal e, por vezes, até levá-lo à morte, caracteriza a prática de maus-tratos. Mas existem várias outras formas de maus-tratos, ainda que, aparentemente, menos graves, como a falta de atendimento veterinário (quando o animal adoece e o tutor não oferece o devido socorro), animais que são mantidos sob sol quente ou debaixo de chuva, fornecimento inadequado de água e alimentação. Estas são situações que caracterizam maus-tratos e precisam ser denunciadas”.
Uma situação reprovável, citada por Carla Sássi em declaração para o Fato Real, é o encaminhamento de denúncia falsa de maus-tratos a animais. Atitude muitas vezes motivada por desentendimento entre pessoas, por exemplo, vizinhos em conflito, ou feita por um dos cônjuges para provocar o outro em brigas de casais. E até mesmo relato de alguém que tenha visto uma situação e não se aprofundou nela antes de denunciar. Segundo a veterinária, cerca de 60 a 70% das denúncias recebidas pelos órgãos competentes acabam se revelando infundadas e o animal é usado apenas como pretexto para atingir a quem se deseja prejudicar.
Nos casos em que a denúncia de maus-tratos é realmente constatada, o animal é recolhido e encaminhado para tratamento, caso esteja ferido ou desnutrido, e o responsável é conduzido para dar explicações: “Agora temos a Lei Sansão, que representa um grande avanço na legislação, pois impõe uma pena maior ao crime de maus-tratos, variando de três a cinco anos de prisão.
Por fim, Carla Sássi citou o elo estabelecido por especialistas entre os maus-tratos impingidos a animais e o cometimento de crimes violentos. Segundo ela, o exemplo mais recente é a tragédia ocorrida na creche Bom Pastor, em Santa Catarina. Conforme as investigações, o responsável pelo massacre que vitimou quatro crianças tinha, há pouco tempo, esfaqueado um animal e não recebeu nenhuma punição pelo crime.
Conforme a veterinária, existem diversos canais para o encaminhamento de denúncias, seja através do nº 181 ou online, na página da Polícia Militar de Meio-ambiente, entre outros.
