
Mães de alunos com deficiência voltam a enfrentar dificuldades para que os filhos possam ir à escola em Conselheiro Lafaiete. O problema, mais uma vez, é a falta de transporte. Nesta terça-feira (07/03) elas foram surpreendidas com a informação, dada pelos motoristas das vans, de que o transporte não poderia ser feito a partir de hoje. Em comunicado, a cooperativa Cooperlafer afirma ter discutido com a Prefeitura a renovação do contrato para a prestação do serviço, mas a Administração Municipal optou por não renovar o vínculo. Sendo assim, não há como o transporte continuar sendo realizado porque, se for feito fora do procedimento burocrático, poderá resultar até na apreensão do veículo. Isso explica a interrupção por tempo indeterminado.
Renata Vieira, mãe e representante da AFAUPA (Associação de Familiares e Autistas Unidos pelo Autismo), falou da situação: “O que vamos fazer com nossas crianças? Como elas irão pra escola? Todo ano é a mesma luta. Cinco vans já pararam de rodar e nos foi informado que, no mês que vem, vão parar mais. Daqui a pouco vai estar todo mundo sem transporte público. Emocionada, ela diz estar indignada com o que está acontecendo. Todo ano é esta luta”, desabafa.
Moradora do bairro progresso e mãe de um adolescente com deficiência matriculado na escola Pacífico Vieira, Sidméia Costa também deu o testemunho do sufoco que enfrenta: “Ficamos de mãos atadas, sem saber o que fazer. Nossos filhos precisam ir à escola e se socializar com outras crianças e adolescentes. A Prefeitura, infelizmente, está tirando este que é um direito deles ao transporte. Pedimos sua ajuda”, diz à jornalista Gina Costa.
Na noite desta quinta-feira, representantes da AMUPD (Associação de Mães Unidas pelas Pessoas com Deficiência) esteve na Câmara pedindo a ajuda dos vereadores para resolver o impasse. Também na “Casa do Povo” elas se depararam com barreiras, já que o Regimento Interno não lhes deu o direito de se pronunciar. Apenas foi lida, durante o expediente, mensagem em que as mães também reclamam do atraso na contratação de MEIs (Monitoras de Educação Inclusiva). Além disso, as profissionais que assinaram contrato no dia 06 de fevereiro tiveram o vínculo validado somente a partir do dia 13, ficando, portanto, sem uma semana de salário.

Em nome delas, fazendo uso da “Palavra Franca”, o vereador Sandro José (PROS) leu trecho de uma carta escrita pelas mães e deu voz à sua indignação: “Mães, mulheres sofredoras. Porque é um sofrimento receber olhar discriminatório sem que as pessoas conheçam seus filhos e as dificuldades do seu dia a dia. Não sabem o que é fazer um almoço diferenciado porque o filho autista só aceita determinados tipos de alimentos. Sobre serem contratadas profissionais de pedagogia para aproximadamente 108 crianças, as mães nos pediram para reforçar que existe a possibilidade de abrir um precedente e colocar estudantes de pedagogia para atuar como MEIs. Acreditamos que seria um projeto inovador da Prefeitura, porque daria às estudantes condições de conhecer os alunos caso a caso”.
Pedro Américo (PT) afirmou que os discursos se esgotaram e é hora de tomar atitudes práticas, pressionando diretamente o Poder Executivo: “Infelizmente, estão usando as pessoas com necessidades específicas para fazer politicagem. Não respeitam o Conselho das Pessoas com Deficiência, não discutem com eles, com os vereadores, com ninguém. Não adianta mais ficar fazendo discurso. Temos que nos juntar, nós vereadores, e dizer ao prefeito: se vira, arruma o transporte pra eles. O que a prefeitura mais tem é carro. As mães não estão pedindo esmola, mas reivindicando um direito que é delas”, afirmou o parlamentar.
Pela manhã, a jornalista Gina Costa, solicitou uma posição do prefeito Mário Marcus sobre a situação, mas ate o fechamento desta matéria, não havia recebido resposta.
