
A Audiência Pública promovida pela Administração Municipal, na noite desta quarta-feira (01/03), no auditório da Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete, se caracterizou, na opinião de diversos presentes, como mera apresentação do projeto de construção de um novo terminal rodoviário urbano. O prefeito Mário Marcus não compareceu. Coube ao secretário municipal de Administração, Felipe Vagner Batista, e ao procurador do Município, Cayo Noronha, fazerem a explanação da proposta e responderam a algumas perguntas direcionadas ao Executivo.
Segundo eles, após autorização emitida em dezembro, os estudos foram iniciados em janeiro passado e, devido à dimensão e complexidade da eventual operação, outros levantamentos e pesquisas ainda serão elaborados com a participação de empresas especializadas. O tempo de concessão seria de 30 anos.
Legislativo

Procurador e secretário enfatizaram que a possível construção do terminal fora da área central, às margens da BR 040 próximo ao distrito industrial não depende de autorização da Câmara de Vereadores, já que a concessão do terminal está amparada por legislação federal.
Quanto à possibilidade de realização de um plebiscito sobre o destino da rodoviária, Felipe Batista disse que a proposta era do vereador João Paulo Resende e que o parlamentar baseou a ideia em informações inverídicas. Ainda assim, acrescentou que o Município está aberto ao diálogo. O secretário negou que o projeto já estaria definido e pronto. Especula-se que o valor do investimento gire em torno dos R$28 milhões.
Assim que teve seu nome citado, João Paulo pediu a palavra, mas não foi atendido já que a dinâmica da audiência só permitia o encaminhamento de perguntas por escrito. O vereador se sentiu desrespeitado e deixou o local em protesto, no que foi acompanhado pelos colegas Giuseppe Laporte, Erivelton Jayme, Fernando Bandeira e Pastor Angelino (PP). O vereador Pedro Américo, que também compareceu à audiência, já havia se retirado. Permaneceu apenas o presidente da Câmara, Vado Silva (DC), convidado a compor a mesa principal como representante do Legislativo. Clique aqui e assista o vídeo.

Já do lado de fora do auditório, João Paulo foi ouvido pelo Fato Real: “O nosso secretário de Administração me acusou de ter dito palavras infundadas, o que é mentira dele. Ele falou sim que já estava tudo definido, durante reunião com alguns comerciantes; como nós pudemos constatar aqui, onde o que houve, foi uma explicação sobre o que vai acontecer. Vou insistir no plebiscito porque a população é quem deve decidir se quer tirar a rodoviária daquele local ou não”.
Erivelton Jayme classificou como falta de respeito a não franquia da palavra aos vereadores presentes: “Apesar do pouco prazo para analisar o projeto, me dediquei o dia inteiro a conhecer a proposta e a gente não pôde falar numa audiência pública dessa importância. A população pergunta que medidas podemos tomar e, na hora de encaminhar as perguntas que o povo quer que a gente faça, não nos deixam falar. Isso, pra mim, foi o cúmulo do absurdo”.
O vereador Giuseppe Laporte chegou a elaborar perguntas por escrito. Ainda assim, considerou que o que aconteceu na Audiência Pública foi um tapa na cara da população lafaietense: “O secretário de Administração, com o apoio de um ou dois empresários, negociando o terminal rodoviário sem apresentar à população nenhum projeto. A mudança foi apresentada na Faculdade de Direito sem deixar as pessoas falarem, com muito autoritarismo, sem a presença do chefe do Executivo. Lafaiete realmente precisa de melhorias, mas a população tem que opinar sobre elas”.
Após o episódio, na sequência a Audiência Pública, outras pessoas que estavam presentes fizeram uso da palavra, entre eles diversos empresários locais.
