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Um senhor de quase 70 sai montado em sua moto

19 de outubro de 2022
in Gerais, Você Repórter
Um senhor de quase 70 sai montado em sua moto
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Em um exercício hipotético, vamos imaginar que um senhor de quase 70 anos saia montado em sua moto para passear por um local de periferia.

Vamos lembrar que 30% de nós está em insegurança alimentar, ter moto não passa de divagação. Sonho mesmo é ter comida.

Sendo assim, para ter saúde e dinheiro para se aventurar de moto, de barriga devidamente preenchida e sem a desesperança de não saber se haverá comida amanhã, você não precisa estar apenas entre os 70% que têm o que comer. Boa parte desses come – mas não tem condições de ter uma moto para sair vagueando por aí. Quando a possui é para deslocamentos de trabalho ou para o trabalho em si (motoboys e afins).

Precisa ao menos estar entre os 30% da classe C (renda domiciliar entre R$2.900 e R$7.100). Melhor ainda: entre os 15% das classes A e B (renda domiciliar acima de R$7.100).

Tendo por base a renda, melhoremos a hipótese: um senhor de quase 70, ao menos de classe média – o que pressupõe instrução formal e conhecimento do que fazer em determinadas situações – saia para passear em sua moto.

Nesse passeio, encontra uma casa em cuja porta vê meninas de 14 e 15 anos arrumadinhas e sente algo suspeito. Isso pode acontecer, especialmente com aqueles que possuem excesso de cuidado com crianças e adolescentes. Por exemplo, professores. Se vemos um agrupamento de meninas muito jovens bem vestidas (ou não) em nossa vizinhança ou próximo da escola, podemos nos sentir compelidos a prestar atenção no intuito de protegê-las, caso algum homem com más intenções se aproxime. E eles se aproximam – sei disso não apenas como professora, mas também como mulher que um dia foi uma menina de 14/15 anos.

Existem muitos homens interessados em abusar de corpos jovens. Inclusive uma espécie que minha mãe chamava de “velho babão”, se referindo a homens mais velhos, que “babam” quando veem adolescentes de corpos recém-formados. Esses homens, não raro em seus veículos, perseguem meninas em busca de satisfação sexual buscando meios de, ao menos, tocar seus corpos.

Mas vamos combinar que JAMAIS uma pessoa que zela pelos vulneráveis, ao ver situação que considera suspeita, diria absurdos tipo: “quero aquela menina”, “pintou um clima”, “delícia”, “tem cara de prostituta” – especialmente em se tratando de meninas tão jovens. Isso é coisa do tal “velho babão”, contra quem as mães e pais cuidadosos previnem suas filhas e filhos.

Agora, imaginemos que esse senhor de quase 70 seja alguém com conhecimento da legislação e poder para fazê-la cumprir, e por isso decide parar e verificar a situação que achou estranha. Poderia não ser nada – mas a responsabilidade com a infância não permitiu que ele simplesmente fingisse que não viu.

Na casa encontra cerca de 20 meninas entre 14 e 16 anos e conclui por fatores que apenas ele pode dizer quais são, que aquelas crianças e adolescentes estão expostas a uma situação de extrema vulnerabilidade, sendo vítimas de exploração sexual. Para piorar, são imigrantes, sem seus responsáveis por perto. Situação terrível e que exige ação de todos aqueles que se entendem como protetores da infância e da juventude.

A nossa hipótese não considera a possibilidade de ser uma família ou meninas prontas a encontrarem as amigas – que no mundo real é bem possível.

Mas no caso aqui, após inteirar-se da situação e conversar com as meninas, o senhor de quase 70, confirma a má impressão: são meninas imigrantes sendo exploradas sexualmente. Assim, ele, utilizando de seu conhecimento e poder, decide chamar o Conselho Tutelar, Ministério da Infância e Juventude e assegurar que tais jovens recebam os cuidados que carecem: apoio médico, jurídico, psicológico para elas e as famílias (se forem encontradas) e tudo o mais que o Estado brasileiro pode e deve oferecer por lei nesses casos. Que estejam na escola, para a qual o senhor (ou alguém a seu mando), de vez em quando, liga para saber notícias e ter a certeza de que as meninas estão crescendo protegidas e bem.

Ele monta em sua moto após tudo encaminhado, de consciência tranquila e em paz. Com uma sensação única de dever cumprido sabendo que sua atitude não havia apenas protegido aquelas menores – mas estabelecido um exemplo de boa ação para todos aqueles que o admiram (e que certamente, passariam a admirá-lo ainda mais).

Mas veja bem. Na nossa realidade brasileira atual, nua e crua, essa é, infelizmente, apenas uma hipótese.

Erica Araújo Castro
@ProfaEricaCL

Fonte:

https://economia.uol.com.br/noticias/deutsche-welle/2022/07/06/mais-de-61-milhoes-vivem-inseguranca-alimentar-no-brasil-aponta-onu.htm#:~:text=06%2F07).-,S%C3%A3o%2061%2C3%20milh%C3%B5es%20de%20pessoas%20que%20n%C3%A3o%20t%C3%AAm%20garantia,per%C3%ADodo%20de%202019%20a%202021

 

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