O Cruzeiro voltou! Não para o lugar de que nunca deveria ter saído como diz o chavão porque a história não entra em campo. O clube, que foi assaltado de dentro, teve suas bases destruídas e chegou quase a acabar, cumpriu uma cartilha da auto-implosão e mereceu cair em 2019. Lógico que o torcedor não é culpado pelo sofrimento, mas institucionalmente o Cruzeiro deveria ter caído.
O que não estava no script era a volta à Série A ter sido tão adiada. Não irei me estender em críticas ao presidente do clube,por ele pleitear uma vaga ao Congresso Nacional e este texto não ter nenhuma intenção política. No entanto, é inegável comentar que a administração à frente do clube foi muito deficitária, especialmente no trato ao futebol, mas não somente.

No início do ano, escrevi que este seria o ano da esperança do torcedor cruzeirense. Hoje, vejo que muito mais que isso. Este foi o ano que impediu com que a instituição Cruzeiro Esporte Clube se tornasse inviável. Quando Ronaldo Fenômeno assumiu a operação de futebol do clube, divulgou que o orçamento do clube para a temporada era de R$ 90 milhões, no entanto a arrecadação prevista era de R$ 60 milhões e parte deste dinheiro já estava gasto. O clube iria quebrar se seguisse no modelo associativo. Afirmo sem nenhum medo de errar: se a operação de futebol não tivesse sido vendida o Cruzeiro seria, neste momento, um clube inviável.
O que eu não esperava era que daria tão certo o Cruzeiro sendo administrado por Ronaldo. O cruzeirense vivenciou neste ano algo com que não estava acostumado nos últimos 3 anos: tranquilidade. A situação está longe de ser perfeita, no entanto, hoje o Cruzeiro tem boas perspectivas. Chegam novas dívidas e são pagas, as antigas estão sendo quitadas em um processo planejado e o trabalho em campo está acontecendo com maestria.

O campo e bola tem sido realmente impressionante. A desconfiança em cima do trabalho de Pezzolano era natural, afinal era um treinador desconhecido do público brasileiro e com relativa pouca experiência, é inegável, no entanto, que aliado a um bom trabalho de análise de mercado, a comissão técnica entregou um Cruzeiro extremamente competitivo e intenso.
Ano que vem será um ano de luta. Voltar à elite do futebol brasileiro significa, também, voltar a um nível competitivo muito maior do que o que enfrentamos nos últimos 3 anos. Mas isso, cruzeirense, deixe para depois. Agora é “o dia da glória/ de fazer história/ de ver quem sorriu, sofrer”.
Marcos Coelho
Jornalista e Cruzeirense
