A possibilidade de municipalização de escolas estaduais segue sendo pauta de discussões em Conselheiro Lafaiete.
Por meio do projeto Mãos Dadas, o Estado repassa recursos para as prefeituras assumirem a gestão do ensino fundamental. Mas as Câmaras Municipais precisam aprovar um projeto de lei para formalizar a adesão a essa iniciativa. Em Lafaiete, o projeto está para ser votado pelo Legislativo. Segundo alguns dos professores há falta de transparência na discussão sobre essa mudança, o que leva a uma preocupação com a qualidade do ensino, além da possibilidade da perda de postos de trabalho.
Profissionais de Educação têm manifestado insatisfação com a questão. Foram carreatas, passeatas e acompanhamento de sessões na Câmara. Em recente visita a Lafaiete, uma professora também interpelou o pré-candidato a governador de Minas, Alexandre Kalil (PSD) sobre o assunto. Kalil se manifestou contrário ao processo: “Eu sou absolutamente contra. Isso é uma irresponsabilidade inclusive dos prefeitos. Como é que aceita uma responsabilidade do Estado, os municípios que estão literalmente quebrados e abandonados?” respondeu o pré-candidato.
Na Câmara
Na sessão da terça-feira (05/07) da sessão ordinária da Câmara Legislativa de Lafaiete o projeto foi retirado da pauta, no entanto, antes disso houve bastante discussão entre os parlamentares sobre o assunto.
O vereador Pedro Américo (PT) defendeu a realização de uma audiência pública sobre a municipalização das escolas. “O governador tem interesse que isso continue nas escolas e nós somos contra. Não tem nada melhor que uma democracia, um diálogo com os diretores de escola e com os servidores e nós vereadores”, defendeu o edil.

O vereador Sandro José (PROS) destacou que o processo de retirada do projeto de pauta aconteceu em conjunto e após discussão com o prefeito Mário Marcus (DEM). Segundo ele, o líder do governo, João Paulo Resende (DEM) também em contato com o líder do Executivo foi o responsável, por ter a prerrogativa legal, pela retirada do projeto da pauta.

O presidente da Câmara, Oswaldo Barbosa (PV) contou que uma escola, na qual ele foi aluno e possui histórico de familiares trabalhando nela, recusou participar de uma reunião fechada para a troca de informações, subsidiando os envolvidos e evitar confrontos. Mas representantes da instituição procuraram vereadores para conversas individuais. Citando palavras como hipocrisia e oportunismo, o vereador disse ter boa intenção para evitar confrontos e apontou ônus e bônus para o munícipio, caso ocorra a municipalização.

Além do Pacífico Vieira, outras instituições estaduais de Lafaiete podem passar pelo mesmo processo: Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, General Oswaldo Pinto da Veiga e Professora Maria Augusta Noronha.
