Semana passada eu e meu marido tivemos Covid – o que me causou muitas reflexões, especialmente porque meus sintomas foram leves e nada anormais para quem tem asma e alergia.
No domingo, comecei com um “raspadinho” na garganta. Tive um pouco de falta de ar – que creditei à pequena reforma que estamos fazendo no quintal.
Na segunda, cheguei cogitar não ir ao médico. Não estava mesmo doente – mas com alguns sintomas de um leve resfriado. Mas fui. Por pura responsabilidade, seguindo o protocolo de Minas para a educação e pensando que se houvesse a menor possibilidade de ter Covid – não queria correr o risco de espalhar entre meus alunos e colegas. Em um único dia de aula me encontro com mais de duzentas pessoas diferentes dentro da escola.
Mesmo sendo absolutamente franca com o médico – “Dr. se não fosse época de Covid e as instruções do protocolo eu não estaria aqui baseado no que estou sentindo. Estaria trabalhando normalmente”. – ele me afastou até quarta devido aos sintomas e instruiu que, se quinta ainda estivesse sintomática, que retornasse para fazer o teste.
Detalhe: hospital lotado de gente tossindo e reclamando de sintomas gripais.
Na quinta, novo dilema: vou trabalhar ou vou testar? Porque, novamente, havia tido uma ligeira piora no quadro mas nada que assustasse quem convive com asma e já teve diversas crises ao longo da vida.
Fui testar, especialmente, considerando que meu marido também havia começado a apresentar alguns sintomas.
Resultado? Positivo. Meu marido testou no dia seguinte: também positivo. Permanecemos em isolamento, segundo a orientação médica.
Sabe o que me chamou a atenção? Qualquer pessoa pode estar com Covid e nem todas terão a responsabilidade ou a informação para, ao encararem sintomas leves, procurarem ajuda médica e seguirem as orientações para evitar proliferar a doença.
Pense quantos alunos eu teria contato, especialmente, em Lafaiete onde o uso de máscaras nas escolas não é obrigatório! Eu uso – mas a grande maioria dos meus alunos, não.
Mesmo em Congonhas onde o uso é obrigatório é uma luta constante com alunos e funcionários para que usem as máscaras corretamente. Sim, inclusive, funcionários.
Questiono fortemente essa falta de máscaras nas escolas aqui na cidade. Em sala de aula não há distanciamento possível. Chama-me a atenção que vim contrair essa doença depois de dois anos apenas após a liberação das máscaras em ambientes fechados, em que quase mais ninguém faz uso de máscaras. Como se a pandemia tivesse acabado.
Mas é engraçado. Já ouvi até gente que me falou assim: “Érica, mas é só você que gosta dessa máscara”.
Quando na verdade, eu ODEIO as máscaras. Ainda mais que uso PFF2. Elas me sufocam, me apertam e ao fim do dia meu rosto está marcado pelo incômodo da pressão.
Odeio as máscaras – mas eu gosto mesmo é de mim – e se as elas me ajudam a evitar a doença, continuarei usando.
Mas como se vê, o esforço individual pode não adiantar muito frente a uma coletividade que vive como se não houvesse mais Covid.
Pense bem em quantas pessoas um professor sem sintomas pode contaminar e veja se consegue chegar na mesma conclusão que eu: a decisão da suspensão das máscaras em ambientes fechados, especialmente, escolas, foi precipitada.
Mas ainda dá tempo de voltar atrás, como outros municípios já estão fazendo.
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
