Estamos na preciosa Era da Informação em que boa parte da população tem acesso a fatos e dados importantes. Com uma simples pesquisa Google podemos validar ou desvalidar várias notícias que chegam até nós por diferentes vias.
Então qual seria o motivo de vermos um cenário eleitoral tão apocalíptico, onde notícias falsas se espalham tanto e em que as pessoas não fazem boas pesquisas antes de ir para as urnas? Será se estamos colocando afeto e emoções acima do que realmente importa em uma democracia?
Esse já é um questionamento antigo e que já rendeu boas pesquisas no campo de Comportamento Político. Neste texto vou colocar em foco a idolatria – um dos motivos de tamanha convergência eleitoral.
Vamos começar com um estudo fora do campo político, de uma neurocientista cognitiva chamada Tali Sharot que escreveu a obra “A Mente Influente”, para entendermos um pouco de como nossas emoções podem ser usadas para manipulação. Em um momento a neurocientista nos conta que “o problema com uma abordagem que prioriza informações e lógica é que ela ignora a essência do que nos torna humanos: nossos impulsos, medos, esperanças e desejos”. Durante a obra entendemos que todos somos influenciáveis e influenciadores em certo nível e a depender da situação.
Na política essa nossa natureza é muito usada contra nós. As campanhas eleitorais, principalmente, usam muitas estratégias que mexem com nossa amídala cerebral (parte do cérebro que processa as emoções) e nos cegam para as informações importantes.
Uma dessas estratégias é a criação do “líder carismático”, um personagem autêntico que abusa de apelos emocionais e cria uma relação afetiva com os eleitores. Max Webber foi quem nos trouxe pela primeira vez essa definição de autoridade carismática em suas obras.
Hoje em dia podemos ver que a criação do líder carismático tem mais repercussão através das mídias o que acaba o tornando em um ídolo – ser exageradamente admirado, e em alguns casos extremos pode até mesmo levar eleitores ao fanatismo exacerbado. Isso é a idolatria política, fenômeno em que os representantes políticos são adorados para muito além do que deveriam.
Isso acontece em qualquer parte do espectro político – da Teoria Espacial do Voto – seja na esquerda, direita, centro ou afins.
Essa adoração nos leva aos piores cenários eleitorais dentro de uma democracia.
A idolatria ainda faz com que muitos eleitores – em debates – utilizem uma abordagem agressiva que acaba gerando repulsa em outros eleitores e essa repulsa pode acabar sendo fonte de rejeição e até mesmo aumentar a polarização política.
A melhor maneira de se evitar isso é com o fortalecimento da inteligência emocional e com mais educação e conscientização política.
Devemos acolher o debate honesto e aberto sempre respeitando as divergências de pensamentos para então consolidarmos uma verdadeira democracia.
Mariana R. da Matta
Lafaietense e graduanda em Bacharelado de Ciência Política no Centro Universitário Internacional. @maricfrm
Referências
Sharot, Tali. A mente influente: o que o cérebro nos revela sobre nosso poder de mudar os outros. 1 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
Cervi, Emerson Urizzi. Opinião pública e comportamento político. 1 ed. Curitiba: Intersaberes, 2012.