Em 18 de maio o Fato Real publicou reportagem alusiva ao Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O portal repercutiu dados divulgados pela UNICEF e pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos de que nos primeiros cinco meses de 2022, já foram registradas 4.486 denúncias deste tipo de crime.
A grande maioria das vítimas de violência sexual (80%) é menina. Entre elas, a maioria sofre abusos entre os 10 e 14 anos de idade.
Menos de 10 dias depois, a revelação do cometimento de um abuso em Conselheiro Lafaiete reforça as estatísticas. A rede de proteção falhou e mais uma menina foi violentada. A violência no corpo e na alma de uma criança de 13 anos trouxe consequências ainda mais terríveis do que aquelas com as quais terá que lidar para o resto da vida: Ela está grávida.
Maria (como será chamada de forma fictícia) foi levada a um posto de saúde para fazer um pré-natal, já aos sete meses de gestação. A gravidez foi descoberta na escola pública em que Maria estuda. Funcionários perceberam mudança no corpo da menina sempre quieta e muito tímida. Com todo cuidado e preparo que a situação exigia, os profissionais de educação chegaram à verdade. Diante da dolorosa realidade a menina passou a receber acompanhamento médico e psicológico.
O caso foi da esfera da saúde ao de polícia. Assim como informou a promotora de Justiça Drª Aléssia Alves de Alvarenga Santa Bárbara, em entrevista ao Fato Real em 18 de maio, na maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, os abusadores são pessoas próximas. A vítima apontou quem é o abusador, cujo crime ocorreu quando ela ainda tinha 12 anos. O homem vivia na mesma casa em que ela, em companhia de uma parente. Mas ele não está preso. A família tem uma situação de vulnerabilidade social e financeira.
As leis não permitem que a imprensa publique nome e foto do “suspeito”.
A criança – que terá uma criança-, precisa de apoio e está recebendo por meio de grupos solidários e profissionais para lidar com a delicada situação.
Mas Maria também precisa que a justiça seja feita em seu nome por meio da aplicação das leis. As outras Marias que existem precisam que as pessoas parem de olhar só para si e que não se calem diante de tantos absurdos e abusos. O medo de denunciar não pode ser maior do que o medo que uma criança sente a cada vez que um abusador se aproxima dela. Você não precisa conhecer a Maria para ser solidário a ela. Basta não ser covarde e denunciar.
Denuncie
Qualquer pessoa pode e deve denunciar casos de abuso contra crianças e adolescentes. A denúncia pode ser anônima. Caso qualquer abuso seja constatado, é preciso que os pais e responsáveis pelas crianças busquem auxílio. A ajuda pode ser obtida no Conselho Tutelar (telefone em Lafaiete: 3769-2606), Delegacia de Polícia (3769-1200) ou no Ministério Público (3763-8088).
N.R: O Fato Real agradece a confiança de todas as pessoas que tiveram a coragem e a confiança de contar esta história à nossa equipe. Mesmo que de forma anônima.
