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Corrupção nossa de cada dia

4 de maio de 2022
in Gerais, Você Repórter
Corrupção nossa de cada dia
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Especialmente em épocas de eleição, a pauta da corrupção volta com toda força. Os “zilhões” desviados da Petrobrás, o mensalão, as malas de dinheiro, o dinheiro na cueca – tudo isso volta a ser pauta em noticiários e discussões em todos os lugares.

Todos clamam por um país sem a famigerada que come o dinheiro de nossos impostos, desviando-o para contas em paraísos fiscais enquanto nós, o povo, continuamos morrendo na fila do SUS.

São várias as formas dessa maldita: desde o simples e puro desvio de dinheiro, passando por “rachadinhas”, peculato, favorecimento etc. – sempre há a ideia da vantagem indevida sobre os direitos dos demais.

Ela é uma velha conhecida aqui em nossas paragens – não foram poucos os colonizadores que aqui vieram e enriqueceram de maneira imoral levando ouro, prata, pedras preciosas de nossas terras. Ou ainda permanecendo aqui e gerando ramos familiares que permanecem ricos e tradicionais.

Porém, no assunto, o que me incomoda além do óbvio é observar nossos hábitos corruptos e desonestos no dia a dia – obviamente, falando de nós, enquanto povo, e não de indivíduos.

Outro dia em uma parada na estrada para Barbacena, ao pedir o salgado, meu marido solicitou o molho de pimenta que sempre gosta de comer no local. O tal molho é diferente, de tom amarelado e bem grossinho, bastante saboroso. E comparativamente caro em relação aos outros – nada que não se possa pagar, claro. Sempre houve dele de livre demanda para os clientes e também para ser adquirido por quem desejasse.

Porém, dessa vez, a garçonete nos informou que não havia mais dele em livre demanda porque os clientes o estavam furtando. Simplesmente enfiando em suas bolsas e levando embora.

Um amigo que nos acompanhava, possuía uma choperia antes da famigerada pandemia que viu falir negócios de A a Z. Eles encomendaram 50 taças para gim: bonitas, grandes, desenhadas. Em 15 dias havia menos da metade.

O interessante é observar os vários carrões parados à porta de ambos os estabelecimentos. Muita gente abonada que teria condições financeiras mais do que suficientes para comprar um vidro de pimenta ou uma taça que gostassem dentro de um bar. Bastaria perguntar o preço e dirigir-se ao caixa sem maiores problemas.

Mas vários dos tais clientes preferiam simplesmente, na mão grande, levar o que não lhes pertencia. Como se tivessem direitos sobre a propriedade alheia.

É interessante ver como essas mesmas pessoas, não raro, são aquelas gritando “bandido bom é bandido morto” e frases como “a corrupção é que acaba com o Brasil”.

É. Corrupção ruim permanece senso a corrupção do outro. Porque a minha, se não é um mero deslize é algo completamente banal. Afinal, o que tem de mais em levar para casa taças/vidros de pimenta/quaisquer outra coisa que esteja ao meu alcance?

Experimente chamar a um desses  de “ladrões” para ver a reação.

E assim vamos alimentando esse monstro histórico, que é a corrupção. A verdade é que não é ele que nos ataca – nós é que o alimentamos diariamente com nossas pequenas desonestidades de cada dia.

Profa. Érica
@ProfaEricaCL

UniFASar

ERM



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