sábado, novembro 7, 2026
  • Sobre
  • Política de privacidade
Fato Real
SENAC
Hemolab 2
Hemolab
SICREDI
  • Home
  • Notícias
    • Gerais
    • Lafaiete
    • Regional
    • Polícia
  • Empregos & Concursos
  • Obituário
  • Contato
No Result
View All Result
Fato Real
No Result
View All Result

Sobre personalidades ditatoriais e um passado a ser compreendido

21 de abril de 2022
in Você Repórter
Sobre personalidades ditatoriais e um passado a ser compreendido
Share on FacebookShare on Twitter

Em 1964 tivemos um golpe militar que introduziu um período ditatorial de vinte e um anos que, semelhante aos regimes em países vizinhos, usava a tortura como um instrumento de ação sistematizado pelo Estado.

Vítimas foram submetidas a sofrimentos físicos e mentais indizíveis e vários foram mortos – ou ainda permanecem desaparecidos. Pelos números oficiais, esses passam de 400 e os presos e/ou torturados estão na casa dos vinte mil, segundo o Observatório dos Direitos Humanos.

Dentre eles, nomes famosos como Caetano Veloso, Paulo Coelho, Raul Seixas, Vladimir Herzog, Dilma Rousseff – e a jornalista Míriam Leitão.

Essa última, após escrever artigo de cunho político – sua área de atuação junto à economia – foi atacada frontalmente por postagem de Eduardo Bolsonaro. Míriam, aos 19 anos e grávida, recebeu chutes e socos, teve cães instigados sobre ela e foi colocada em uma sala escura, completamente nua, com uma serpente. Ela era uma simples filiada à partido político, do PC do B – não era guerrilheira, nem pegava em armas contra o Regime.

Não que o fato de lutar contra um regime ditatorial seja desculpa para que alguém seja submetido à tortura – se há um crime cometido por quem quer que seja é obrigação do Estado prender e julgar.

Porém o fato de ela ser uma mera filiada ao partido ressalta ainda mais o que passou nas mãos do Estado brasileiro. Assim como ela, outros jornalistas, professores, artistas conheceram diferentes porões coordenados pelas Forças Armadas ou pelas polícias locais, civis ou militares, submetidos a mais de duzentas técnicas de tortura catalogadas pela Comissão da Verdade.

Eu fico pensando em como deve se sentir corajoso um homem feito, fardado, que tem disponível corpos subversivos para torturar. Homens, mulheres e crianças – sim, porque até crianças foram submetidas aos descalabros da ditadura. Imagine a sensação de poder de quem acha correto descontar todas as suas frustrações sobre quem não tem condições de defesa.

Penso também como nosso passado é mal resolvido, pouco conhecido. Não há aqui museus da Ditadura com depoimentos e equipamentos utilizados por torturadores. Não há a aceitação do passado que, enevoado, parece pouco real para alguns.

Ao ponto de um deputado sentir-se confortável em debochar de uma torturada. Imaginem vocês: uma mocinha. Hoje em dia seria alguém que estaria saindo do ensino médio e pensando em coisas como ENEM, emprego ou ainda nos primeiros semestres da faculdade. Submetida nas mãos de bravos agentes da lei, corajosos e poderosos, peritos na arte de esmagar pessoas indefesas e de provocar abortos com choques elétricos. Para depois sentarem-se piamente em suas igrejas jurando-se bons cristãos.

Como bem disse um dos ministros do Superior Tribunal Militar em áudio recentemente divulgado pela mesma Míriam Leitão: “O que não podemos admitir é que o homem, depois de preso, tenha a sua integridade física atingida por indivíduos covardes, na maioria das vezes, de pior caráter que o encarcerado.” (Almirante Julio de Sá Bierrenbach, gravado em sessão do tribunal em 1976).

“Pior caráter que o encarcerado”, disse o ministro. Mas isso jamais passaria pela cabeça daqueles deuses cheios de verdade como o Coronel Carlos Brilhante Ustra, único torturador condenado no Brasil e considerado herói por outros tão pérfidos quanto ele.

Quem dera tudo tivesse sido apurado então com o mesmo brio exigido pelos ministros. Seríamos poupados de vermos as instituições militares celebrando o golpe de 64 como se democrático fosse e deputados teriam mais pudor ao tratar de pessoas que foram torturadas por um regime bárbaro.

Já passou da hora de conhecermos e reconhecermos nosso passado.

“Ódio e nojo”, como diria Ulysses Guimarães. Ou como o slogan do projeto Memórias Reveladas: “Para que não se esqueça, para que não mais aconteça”.

Texto: Profa. Érica Araújo Castro.
Foto: Evandro Teixeira
@ProfaEricaCL

Fontes:

https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/04/17/audios-do-superior-tribunal-militar-sobre-tortura-ouca-os-relatos-e-leia-as-transcricoes.ghtml

https://www.brasildefatoce.com.br/2020/04/01/opiniao-para-que-nao-se-esqueca-para-que-nunca-mais-aconteca

UniFASar

ERM




Fato Real

Copyright © 2026 Fato Real Desenvolvido por KONSTRUKTAPP.

  • Sobre
  • Política de privacidade

Siga nossas redes

No Result
View All Result
  • Home
  • Destaque
  • Lafaiete
  • Empregos & Concursos
  • Gerais
  • Polícia
  • Obituário
  • Regional

Copyright © 2026 Fato Real Desenvolvido por KONSTRUKTAPP.

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.