
As aulas voltaram presencialmente em escolas de Lafaiete há uma semana, mas para os estudantes que moram em Gagé, é mais complicado. Pais e estudantes do bairro, procuraram a redação do Fato Real, pedindo ajuda para uma intermediação junto à Prefeitura e a Comércio Lubrificantes Peças Ltda, empresa que faz a linha de ônibus para atender a comunidade.
Moradores relatam que, com a pandemia, a empresa cortou vários horários de ônibus. No entanto, mesmo com a retomada das atividades presenciais, os horários de ônibus não foram repostos. Os estudantes que fazem cursos técnicos e superiores precisam que o ônibus de 22h45 retorne a circular do centro de Lafaiete para Gagé, pelo menos de segunda a sexta-feira.
Cláudio Rezende, pai de uma estudante universitária que precisa se deslocar para o centro, relata que o transporte sempre esteve presente no local: “Os meninos vão perder ano por causa de condução? Sempre teve isso, desde quando eu estudava, há quarenta anos, tinha ônibus ou 22h45 ou 23h. Esse ônibus é o recurso dos meninos. Se cortar ele e não conseguirmos, a minha filha mesmo terá que trancar a faculdade, porque eu não consigo buscar ela todo dia e tem muitos outros que também precisam muito”, destaca.
Roger Diego, morador e líder no bairro, suplente de vereador nas últimas eleições, explicou a situação: “Temos um volume considerável de pessoas aqui em Gagé que necessitam deste horário de ônibus de 22h45. […] Não é uma causa avulsa, não é uma causa injusta. O pessoal só quer estudar e trabalhar, por isso, a gente pede o retorno dos horários de ônibus aqui no Gagé”, aponta.
Resposta da empresa
Um representante da Comércio Lubrificantes Peças Ltda, que optou por não gravar entrevista e não ser identificado foi ouvido. Segundo ele, com o atual preço do combustível e o número de passageiros que utilizariam a linha, ficaria inviável ter um transporte no horário reivindicado.
Ainda segundo o representante da empresa, seriam necessários ao menos 18 passageiros diários, para que a viagem pagasse ao menos o preço do combustível utilizado.
A empresa considera, para voltar o horário, um reajuste no preço da passagem. O que teria margem maior para o pagamento dos custos da viagem. Outra solução seria a formulação de uma lista com, ao menos, 20 passageiros, que utilizariam o transporte todos os dias. “Caso esta lista seja formulada, a empresa estaria disponível para ouvir a comunidade e voltar com o horário”.
