Matéria publicada no portal de notícias Metrópole (DF) informa que até 160 cidades em 23 estados aplicaram vacinas vencidas contra a Covid-19 na população, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Os microdados de vacinação compilados pela pasta apontam que 1.254 pessoas foram inoculadas com doses de lotes do imunizante da Oxford/AstraZeneca cuja data de expiração já tinha passado.
Para chegar a informação, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, cruzou as informações oficiais sobre vacinas aplicadas com os registros de envios de imunizantes para as unidades da federação, onde constam a data de vencimento para cada lote.
O problema envolve as doses de três lotes de vacinas produzidas pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford fabricadas na Índia e importadas prontas pelo Brasil, os lotes 4120Z001, 4120Z004 e 4120Z005. São grupos de imunizantes cuja data de validade, de seis meses, já expirou.
Em Minas
Entre as cidades mineiras que constam na reportagem como locais onde houve aplicação da vacina vencida estão Congonhas (uma dose), Santos Dumont (três doses) e São João del -Rei (20 doses)
Ainda segundo a reportagem, a epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, afirma em entrevista ao Metrópoles que a aplicação de vacinas fora da data de validade “é um erro de procedimento, cuja responsabilidade é de quem está na ponta: o município, a sala de vacina”.
Segundo ela, o sistema público tinha por norma não enviar ao entes federativos vacinas com menos de 3 meses de validade. “Numa situação especial, como agora, pode-se flexibilizar para um mês, mas precisa haver agilidade”. “Não há autorização ou previsão para a aplicação fora da validade, as vencidas têm que ser desprezadas”, acrescentou.
Ainda de acordo com a epidemiologista Carla Domingues, o problema da aplicação de vacinas vencidas é a possível perda de eficácia do princípio ativo. “Em princípio, um dia, dois dias, uma semana, não vai fazer diferença. Mas isso é teoricamente, e essa aplicação, se houve, não deixa de ser erro de procedimento, que não deve se repetir”, afirma ela.
Congonhas
O Fato Real questionou a prefeitura de Congonhas sobre o fato e teve resposta, por meio da assessoria de imprensa que segundo a Secretaria de Saúde foi um erro, no sistema do município, na digitação do número de lote. “Já conferimos todas as informações. O lote 001 quando chegou no Município foi totalmente utilizado. Não foi guardado. Mesmo porque cada frasco vem com 10 doses. Então teria que ser 10 pessoas e não somente 01 pessoa. Mas, foi erro de digitação no sistema”, diz o esclarecimento.
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