Na última semana, o Fato Real publicou uma matéria referente à insustentabilidade do São Camilo, em funcionamento nas dependências do hospital Queluz, desde que sua sede foi estruturada para receber o Hospital de Campanha, utilizado exclusivamente para o tratamento de pacientes com Covid-19.
Em entrevista à jornalista Gina Costa no “Jornal Falado Carijós” no dia 15 de abril, o prefeito Mário Marcus afirmou que o município não tem intenção de manter a sede do hospital após o fim da pandemia, vai devolvê-la e que não vê legalidade no repasse de verbas para ajudar o São Camilo a se manter. A matéria completa pode ser lida aqui.

Diante da fala do prefeito, a direção do São Camilo entrou em contato com nossa redação e rebateu algumas informações passadas por Mário Marcus. As considerações foram feitas pela Dra. Érica Almeida, diretora técnica do hospital. Confira abaixo algumas ponderações.:
Requisição
“Não houve esse interesse. E em uma das últimas tratativas nos foi dito pela Secretária de Saúde que nenhum outro hospital havia aceito e que naquele momento, ou o São Camilo aceitava ou seria requisitado. Não aceitamos e o prefeito, por meio do decreto 581 em 06/04/2020, nos deu três dias para, juntamente com nossos pacientes, sairmos do prédio e ocupar a ala do hospital Queluz, que estava desativada.
Reforma
“A reforma necessária naquele momento no prédio do hospital seria o telhado, no qual já estava sendo realizado um trabalho para arrecadação de recursos pela direção, juntamente com os colaboradores do
hospital. Inclusive já tínhamos tratativas com a sra. Carine, mãe do João Miguel”
Devolução
“É preciso que o município aprenda a trabalhar de forma mais planejada. Já que não dá para você entrar na casa do outro e dizer que não sabe que dia irá sair”

Repasse de recursos
“Nesse ponto, acreditamos que uma análise mais aprofundada irá mostrar aos gestores da saúde do município, a possibilidade legal de repasse de recursos financeiros para socorrer o Hospital São Camilo. Que, quando foi chamado, socorreu o município”.
Contratualização
“Em janeiro deste ano, houve uma redução pelo município de contratação de serviços prestados pelo hospital. Via SUS ao município, a Secretaria Municipal de Saúde impôs a redução de serviços contratados. Como agora querem falar em aumento dos serviços do hospital, como justificativa para ajudá-lo?”
Repasses do SUS
“Nosso faturamento foi substancialmente reduzido. Caímos de uma média de aproximadamente 600 pacientes por mês em nossa sede, para 42 pacientes por mês na ala do hospital Queluz. Baixando nosso faturamento, em janeiro de 2021, para R$ 20.000,00 (vinte mil reais), uma redução de mais de 80% no faturamento total. Sem falar que hoje atendemos basicamente ao SUS, já que no local disponibilizado para o hospital têm apenas dois apartamentos, que são utilizados para isolamento. Então, os pacientes se tornam casos suspeitos ou confirmados da Covid-19”.
Reunião

“Estamos aguardando essa reunião com o prefeito, desde quando lhe entregamos a notificação e a cópia da mesma ao Conselho Municipal de Saúde, ao Ministério Público, vereadores e demais autoridades em 09/02. Reiteramos que a cessão do prédio não foi de comum acordo, prova disso é o decreto de requisição.
Desmobilização
“Não queremos a desmobilização do Hospital de Campanha. Mas entendemos que já houve tempo suficiente para o município se planejar, preparar e apresentar um plano B para continuar fazendo o atendimento ao Covid. E devolver ao São Camilo sua sede.
