A volta às aulas na rede municipal de ensino de Conselheiro Lafaiete vai começar, de forma gradativa e segura, a partir desta segunda-feira, 1º de junho. Até este sábado 30/05 a imprensa não havia recebido nenhum material de divulgação desta informação que interessa a milhares de pais e alunos que nos últimos dias têm questionado sobre a suspensão das atividades escolares.
No entanto, a informação foi dada à Comissão de Educação do Legislativo pelo secretário municipal de Educação, Moisés Matias Pereira, e repassada pela vereadora Carla Sássi ao fazer uso da “Palavra Franca” na Sessão Ordinária da Câmara na quinta-feira (28/05). De acordo com a parlamentar, que integra a Comissão, as aulas serão oferecidas virtualmente e cada uma das escolas está organizando o próprio esquema de trabalho à distância.
Ainda segundo a vereadora, o material de estudo será impresso e deverá ser retirado nas escolas, onde os servidores trabalharão em rodízio para atender aos pais de alunos. O atendimento será prestado, prioritariamente no período das 9h às 15h em espaços abertos e com todos os equipamentos de proteção individual à disposição. De acordo com a vereadora Carla Sássi, as mesmas regras vão se aplicar aos alunos dos primeiros ciclos da educação infantil e aos matriculados nas creches municipais: “Esta decisão foi tomada após reuniões com a Superintendência Regional de Ensino, que já vem adotando medidas semelhantes, as quais a Secretaria está adaptando pra ver o que pode ser feito na rede municipal. Estamos na estaca zero e precisamos sair dela. Haverá erros e acertos, mas alguma coisa tem de ser feita”, avaliou.
Nas últimas horas alguns diretores de escolas municipais estão usando as redes sociais para divulgar o sistema adotado para a distribuição do material escolar.

Posicionamento do sindicato
O modelo extraoficialmente definido para a retomada das aulas já começou a gerar protestos. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Valdiney Delmaschio Alves, em contato com a redação do Fato Real disse que a entidade não foi consultada para a tomada de decisão e listou uma série de problemas que precisariam ser avaliados pela Secretaria da Educação antes de bater o martelo: “Essa decisão foi tomada sem se discutir com a categoria, através de seus representantes, a melhor forma de diminuir o risco à saúde dos educadores e de quem vai ter contato com eles. Faz mais de três meses que os servidores estão afastados e o Município não tem conhecimento do quadro de saúde destes profissionais, que, ao que parece, não vão ser testados antes de retornar às atividades. A nosso ver, a SEMED estará voltando às aulas de forma irresponsável e colocando a saúde das pessoas em risco, já que a disponibilização de equipamentos de proteção individual não será suficiente se houver algum servidor contaminado.”
Outra grave irregularidade apontada por Valdiney Delmaschio seria a exigência feita pela prefeitura de que os professores forneçam os números de seus celulares pessoais para que pais e alunos possam entrar em contato a fim de obter suporte durante as aulas virtuais. Como lembrou o sindicalista, o celular pertencente ao servidor é de uso pessoal e restrito; portanto, o professor não é obrigado a fornecer o número de contato, que também não poderia ser repassado pela Secretaria aos pais e alunos, o que configuraria invasão de privacidade. Valdiney adiantou que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais já notificou a Secretaria Municipal de Educação extrajudicialmente e recorrerá ao Ministério Público na tentativa de evitar que a volta às aulas ocorra nas condições anunciadas.
