Mais uma Semana Santa se finda. Mais uma vez, a humanidade celebrou a vida, paixão, a morte e a ressurreição de Cristo. Celebrou dessa vez de um modo muito diferente, com todos recolhidos em suas casas e fazendo delas uma igreja viva, acompanhando pela televisão, pelo rádio ou pela internet as celebrações que foram mais curtas, sem as tradicionais procissões e sem a presença dos fiéis que se viram impedidos por causa da pandemia do Coronavírus.
A ressurreição de Jesus Cristo, com relação ao passado, é um fato histórico incontroverso. Com relação ao presente, é um artigo de fé. E com relação ao futuro, a ressurreição de Jesus Cristo é a garantia da nossa esperança. Jesus ressuscitou e deu provas evidentes, eloqüentes, robustas da sua ressurreição, e é porque ele vive que nós podemos crer no amanhã, é porque ele vive que a última palavra não está com a morte. Ele venceu a morte, inaugurando a imortalidade e trazendo a nós esta viva esperança. “E se o Senhor Jesus voltasse agora?” Veria tantas e tais coisas, que concluiria que seu sacrifício foi em vão.
Iria constatar quantas igrejas e seitas surgiram em Seu nome e não ia gostar de ver como vendem suas palavras. Constataria que pegaram “seu” nome e fizeram merchandising dele, abriram templos como quem abre franchising da fé. Seria, por isto, melhor que não indagasse o que fizeram de seus ensinamentos nesses mais de dois mil anos. Não ia acreditar na quantidade de mortes nas guerras religiosas, antes das cruzadas ou depois da inquisição.
Se aparecesse, por exemplo, em Israel ou em qualquer daquelas terras da antiga Palestina, por onde mansamente pregou, ia ficar estarrecido. No lugar onde nasceu e onde pregou é onde há mais ódio entre irmãos. Se resolvesse subir a montanha e fazer um novo sermão, iam logo dizer: “Olha, Mestre, não é por ai! Vamos a uma estação de televisão, lá o Senhor fala via satélite para todo mundo”. Iam, é claro, dizer que 12 apóstolos usando somente o gogó não iam funcionar mais. Certamente o levariam a um “talk-show” e haveria um “Globo Repórter Especial” e um flash no “Fantástico”. É quase certo que uma marca de cerveja tentaria contratá-lo para que demonstrasse como se transforma água em cerveja e cerveja em água. Ia ser um tal de pedir autógrafo e fazer selfie ao seu lado para mandar aos parentes do interior, que não acabaria nunca.
Depois de ir daqui pra ali, indagar, opinar, participar mansamente, outras vezes iradamente como quem expulsa os vendilhões do templo, começariam as intrigas, as fofocas e, não tenham dúvidas, seria mais uma vez traído. Traído por àqueles que se dizem seus seguidores e, no entanto, matam e trucidam populações inocentes; iria, enfim, para julgamento sumário, diante das câmeras de televisão para aumentar o IBOPE. Depois de apanhar e antes de ser executado nos subúrbios de nossa indiferença e consumado o crime, os jornais do dia seguinte seriam capazes de estampar em suas páginas: “Foi encontrado morto ontem, numa vala, o corpo de um indivíduo que insistia ser Jesus Cristo. Seus parentes e vizinhos disseram que sempre temeram que esse fosse o seu fim, pois, Ele tinha umas idéias muito estranhas e vivia falando coisas que muita gente nunca levou a sério.
Jesus Cristo está vivo, no meio de nós, nos pobres e famintos, nos sem casa e no sem teto, nos sedentos de água e de justiça, nos presos e nos drogados, nos desempregados, nos hospitais desaparelhados e inacabados, nos asilos onde estão os velhos esquecidos e abandonados e especialmente em todas as mulheres e mães que são brutalmente assassinadas diariamente e, em todos aqueles que nada têm.
É preciso que deixemos, de uma vez por todas, nosso egoísmo, nosso descaso, nosso conforto material, pois a cegueira, o mutismo, a surdez e a insensatez são os pilares que dominam o mundo moderno. Pensem nisso.
Ótima e abençoada Páscoa a todos!
Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix
