Tempo, tempo, tempo. Tudo é uma questão de tempo. Na sua abstração e fluidez, o tempo constitui um paradoxo e se materializa: o tempo amanhece, anoitece, cansa, descansa, amadurece, envelhece, cura, satura, ensina, desatina. O tempo comanda as nossas ações, a nossa vida. Ele sinaliza o momento histórico da mudança, o momento do rito, marcando o início e o término dos acontecimentos.
Um dos comentários preferidos no final de cada ano é o famoso “como este ano passou voando”. É certo que é um lugar comum, como é certo também que é uma grande verdade. Mas será que em outros tempos o tempo era outro? Passava em outra velocidade? A vida custava a passar? Já dizia Woody Allen que o futuro se aproxima de todos nós, sempre a uma velocidade de 60 minutos por hora. Sempre foi assim. O dia continua tendo 24 horas e a cada ano vivemos os mesmos 365 dias e a cada quatro anos ganhamos mais um dia. A diferença, talvez, é que hoje estamos em eterna batalha com o tempo, e sempre perdendo. Aquela sensação permanente que sempre precisaríamos um pouquinho mais. Para terminar a tarefa no trabalho, para entregar o trabalho de escola, para curtir um pouco mais a festa. Alguns minutinhos a mais para dormir.
E mais uma vez chegamos à velha conclusão. O ano passou voando. Lembro que quando criança o tempo custava a passar. De um Natal ao outro era uma eternidade. Na infância, tínhamos a nítida impressão de que o tempo passava mais devagar. Sobretudo o aniversário levava uma eternidade para se repetir. Ao contrário, à medida que crescemos, parece que o tempo se acelera, os dias, as semanas e os meses caminham em desabalada carreira. Quem sabe a pressa, a ansiedade de ganhar presentes nos angustiava e nos dava a sensação de nunca chegar. Talvez por que os presentes vinham só no Natal. Não a toda hora. Eram mais valorizados.
Lembro que demorou chegar os meus 18 anos. Confesso que os 36 vieram mais rápidos… os 40 então! Por que o tempo é tão cruel fazendo a vida passar depressa e nos aproximando cada vez mais do fim? Talvez o tempo passe rápido porque não tiramos tempo para olhar pra ele. Não o vemos passar porque não conseguimos olhar pra nós mesmos. Talvez o excesso de informação, o mundo passando na frente dos nossos olhos pelas telas da televisão, dos computadores. Talvez pelo excesso de compromissos. Queremos abraçar o mundo e não conseguimos mais abraçar nem quem está por perto.
É verdade, este ano passou voando. Começo a pensar no que deixarei por fazer quando partir desta vida. Será que terei feito o que realmente importava fazer? Pois é certo, com o tempo passando tão depressa não terei tempo de fazer tudo. Alguém terá que continuar por mim.
Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix
