
Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (01/11) a Polícia Civil de Conselheiro Lafaiete explicou as circunstâncias em que foi efetuada a prisão de uma jovem de apenas 19 anos suspeita de cometer estelionato em várias cidades da região.
Golpe do celular

De acordo com o delegado Daniel Gomes Oliveira, as investigações partiram das queixas de diversas pessoas dando conta de que a suspeita, identificada como Júlia Teresa Gomes, atraía as vítimas anunciando a venda de celulares em sua página no Facebook. Para entregar o aparelho, ela exigia que o comprador fizesse um depósito prévio em sua conta pessoal. Porém, depois de receber o dinheiro, Júlia não entregava o telefone e impedia qualquer chance de contato do cliente bloqueando-o no Face, WhatsApp e em suas demais redes sociais: “No início, ela praticava esse golpe reiteradamente. Temos pelo menos 10 registros de ocorrências em que ela agia exatamente da mesma maneira. Mas chamou muito nossa atenção o fato de, ao perceber que seus golpes viriam à tona, ela ter vindo à delegacia e registrar ocorrência imputando tais delitos a uma terceira pessoa. A suspeita fez uma denunciação caluniosa afirmando que esta terceira pessoa teria furtado seus dados bancários e informações de seu celular, se passando por ela para praticar os golpes”.

De acordo com o delegado Daniel Gomes, a versão apresentada por Júlia Teresa não convenceu os investigadores, que cruzaram informações de suas postagens nas redes sociais e, ao cumprir mandado de busca e apreensão na residência da suspeita, apreenderam inúmeros chips telefônicos.
Nomes falsos
Uma das estratégias da jovem, a cada sinal de desconfiança sobre sua conduta, era criar perfis falsos nas redes sociais e mudar constantemente o número do celular para continuar enganando as vítimas. Os detetives encontraram, ainda, o cartão da conta bancária que recebia o depósito adiantado exigido dos compradores. Além de usar o nome verdadeiro, Júlia Teresa, a estelionatária também se apresentou como Ana Lívia, Bárbara e outras identidades fantasmas. Desta forma, tanto dificultava a ação da polícia, como afastava o risco de ser desmascarada por um comprador mais previdente. A ponta solta deixada por Júlia Teresa foi a conta bancária indicada para os depósitos, da qual sempre aparecia como titular.
Segundo o delegado, outra característica foi fundamental para apressar a prisão da falsária: “Júlia é uma menina de 19 anos que gosta de ostentar nas redes sociais. Ela postava fotos em praias e baladas e fazia ensaios fotográficos. A prendemos quando ela estava chegando em casa, no bairro Santa Matilde, voltando de um salão de beleza, já que costumava andar sempre elegante e bem arrumada pra causar boa impressão e transmitir credibilidade a suas vítimas. Há cerca de dois meses ela estava morando com o namorado, que, em princípio, não tem qualquer relação com seus crimes. Porém, Júlia já estaria buscando se valer deste relacionamento amoroso para, futuramente, obter alguma vantagem ilícita do companheiro”.

A polícia ainda apura o montante do prejuízo causado por Júlia Teresa nos diversos golpes que cometeu. A expectativa é de que, com a notícia da sua prisão, surjam novas vítimas, inclusive, de outras modalidades de delitos em que ela possa estar envolvida.
Conforme o chefe do 13º Departamento da Polícia Civil, delegado Carlos Capistrano, além de Conselheiro Lafaiete e Belo Horizonte, Júlia Teresa agia em, pelo menos, outras seis cidades da região central de Minas Gerais: entre elas, Alfredo Vasconcelos, Cristiano Otoni e Barbacena. Segundo ele, as 10 ocorrências apuradas até agora são apenas a ponta do iceberg.
