A falta de dinheiro é argumento recorrente dos gestores para justificar o atraso no andamento de diversas obras e o adiamento do início de outras, consideradas fundamentais à melhora da prestação de serviços à população. Em Lafaiete não é diferente.
Por outro lado, segundo o vereador Pedro Américo, se realmente há pouco dinheiro em caixa, o mau uso dos recursos está contribuindo para agravar a situação: “Se não tem dinheiro é porque falta administração também. Dou alguns exemplos. Mandaram fazer um projeto de reforma da igreja de Santo Antônio, que é tombada pelo Patrimônio Histórico; este projeto, simplesmente, não foi aprovado pelo IPHAN, ou seja: jogaram dinheiro fora. Há quantos anos estou denunciando que Lafaiete tem um trator que fica parado o dia inteiro na área do antigo lixão e a empresa locadora recebendo dinheiro do município? À época, a peça para consertar o trator da prefeitura custava aproximadamente R$400,00. Com o dinheiro que pagaram a empresa pelo aluguel do trator ao invés de comprar a peça, daria para comprar dois tratores novos para o município”.

Como outros exemplos de mau emprego de recursos públicos, Pedro Américo citou a reforma inconclusa da quadra da Escola Municipal Nilce Moreira e os 13 milhões de reais investidos inutilmente no hospital regional, cujo prédio continua se deteriorando a céu aberto. Pedrinho citou, ainda, a verba destinada à creche Bela Vista, obra que se encontra abandonada há anos.
O vereador citou ainda as dificuldades enfrentadas diariamente pelas profissionais que atuam na coleta do lixo reciclável, enquanto o município investe recursos no consórcio de tratamento de resíduos sólidos. “São três associações que se dedicam à reciclagem e a maioria dos que fazem este serviço são mulheres batalhadoras, que suam pra ganhar o pão. Elas não têm apoio; às vezes, lhes dão um caminhão e dizem que estão fazendo muito. Ficam pagando caro ao ECOTRES e à Localix, quando o dinheiro que poderiam pagar a elas poderia reduzir o volume de lixo levado para o aterro sanitário. Ali se enterra muito material que poderia ser reaproveitado pelo pessoal da reciclagem”.

Pedrinho avaliou, ainda, que o mau uso do dinheiro público passa também pela execução de serviços que competem à Copasa: “A Copasa tem de levar o abastecimento de água às comunidades de São Vicente e Buarque de Macedo, mas a Prefeitura não cobra. Se a bomba estraga, pagam caminhões-pipa, que são muito caros e ainda entregam água suja. Por que não cobram da Copasa ao invés de pagar a uma empresa para levar água às pessoas?”, questionou o vereador.
