A lentidão da saúde em Conselheiro Lafaiete, que obriga pacientes a aguardar durante anos em filas intermináveis por exames importantes como tomografias, ressonâncias magnéticas, exames cardíacos, endoscopias e outros procedimentos, suscita discussões cada vez mais acaloradas no Legislativo local. Durante sessão ordinária realizada pela Câmara Municipal na terça-feira (24/09), o presidente da Casa, Fernando Bandeira (PTB), trouxe o problema novamente à baila ao se pronunciar durante a “Palavra Franca”. Ele disse estar preocupado pelo número crescente de pessoas que procuram seu gabinete se queixando por estarem há, no mínimo, dois anos esperando por autorizações que nunca são liberadas para exames que deveriam ter sido realizados com urgência através do SUS (Sistema Único de Saúde).

Na mesma sessão, o Legislativo aprovou requerimento em que o vereador José Lúcio (PSDB) solicita à secretária municipal de Saúde, Rita de Kássia Silva Melo, informações sobre o tempo de espera para consultas médicas e realização de exames especializados. Ao justificar a arguição, o vereador afirmou que a espera prolongada tem agravado a saúde de pacientes: “Sabermos o exato número de pessoas aguardando na fila e juntos – Câmara, Secretaria de Saúde e outros envolvidos, podermos ajudar a diminuir este tempo de espera também é fazer uma política de saúde pública”, argumentou José Lúcio.
Mutirões

Carla Sássi (PSB) citou a coincidência de a discussão do requerimento de José Lúcio ocorrer no dia da reunião mensal entre a Comissão de Saúde da Câmara e a secretária Rita de Cássia: “Foram quase quatro horas de conversa, como vem ocorrendo em quase todas as reuniões mensais, quando se discutiu a utilização da estrutura do CISAP (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paraopeba) para desafogar a demanda por exames oftalmológicos e pequenas cirurgias. A secretária ficou de avaliar a possibilidade de se realizarem mutirões para agilizar as demandas da oftalmologia, que é uma das maiores no Município”.
Segundo a vereadora, o próprio CISAP vem enfrentando dificuldade para contratar neuropediatras, outra especialidade com grande demanda reprimida em Lafaiete e região. Na reunião foi informado que a Prefeitura tem sido obrigada a destinar, em média, 150 mil reais para o custeio de procedimentos que seriam de responsabilidade do estado, mas que os pacientes obtêm na Justiça o direito de realizar pelo Município.
Sem informação
Ao apoiar o requerimento do colega José Lúcio, Alan Teixeira (PHS) reforçou que, muitas vezes, falta transparência no agendamento de exames e outros procedimentos de saúde. Segundo ele, quase sempre as respostas aos pacientes são evasivas, dizendo que os pedidos se encontram em análise e com prazo indefinido de confirmação: “Seria bom que a Administração Municipal disponibilizasse mais dados para o cidadão sobre quanto está vindo em verbas federais, estaduais e do Município e o que tem sido feito com esse dinheiro. Assim haveria maior transparência e a população ficaria sabendo qual governo investiu mais em saúde e quais cortaram mais recursos do setor”.
Aprovado por unanimidade, o requerimento foi encaminhado em busca das respostas solicitadas.
Clique no link abaixo e ouça os depoimentos dos vereadores Fernando Bandeira e Lúcio Barbosa.
