
O silêncio grita. E foi num grito silencioso que esposa, filhas, irmãos, demais parentes e amigos do Jair caminharam na tarde deste sábado pela estrada onde ele foi morto.

O silêncio dói. E foi com uma dor visível que um dos irmãos não conseguiu caminhar pela estrada em que Jair foi morto. A dor tirou suas forças e ele foi amparado por alguém com dor semelhante.

O silêncio une. E numa união, tirando forças do fundo de seus corações, que as pessoas deram as mãos e rezaram pela alma de Jair, por agradecimento ao homem que foi , e para que não existam outras vitimas.

O silêncio leva a quebrar amarras e relatar, sem calar, histórias que não deveriam ter acontecido, com Jair e com ninguém.

O silêncio emociona. A emoção mais sincera surgiu em forma de lágrimas por Jair, pela impunidade, pelo medo de tudo não dar em nada. 
O silêncio leva à reflexão e à gratidão. E a gratidão leva a gestos nobres como oferecer flores a quem viveu de forma digna.

E todo o silêncio e saudade levam hoje a Jair Egg Miranda, morto pela negligência e irresponsabilidade de alguém.
