Uma semana depois de se posicionar formalmente contra a possível desestatização da Empresa de Correios e Telégrafos, a Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete se manifestou contra a intenção, anunciada pelo governo de Minas, de privatizar a CEMIG.

Em Sessão Ordinária realizada na noite desta terça-feira (03/09), a casa aprovou, por unanimidade, Moção de Repúdio dirigida ao governador Romeu Zema (Novo), que já reforçou publicamente a possibilidade de entregar a Companhia Energética de Minas Gerais ao capital privado.
Presente em plenário, Fernando César Rodrigues da Silva, que trabalha há 33 anos na Companhia Energética, criticou a possível desestatização: “No passado, foi votado pela Assembleia Legislativa de Minas uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para evitar que governantes viessem a privatizar o patrimônio público. Para tanto, seria necessária a realização de plebiscito. A CEMIG é uma das empresas mais lucrativas do estado e tem um papel social relevante em Minas Gerais. Pode, eventualmente, haver problemas, mas estes não estão relacionados à empresa em si e sim à má gestão que ela vem tendo. A responsabilidade cabe aos governantes, que são responsáveis pela nomeação da direção da empresa”.

A Moção de Repúdio, de autoria do vereador Sandro José (PSDB), mereceu o apoio dos colegas antes mesmo de entrar em discussão, sendo parabenizada por muitos ao fazer uso da “Palavra Franca”. O próprio Sandro, que trabalhou durante mais de três décadas como eletricitário, ocupou a tribuna e disse não entender por que razão o governador ameaça abrir mão de uma empresa lucrativa como a CEMIG: “Para este ano a previsão de lucro da CEMIG são quatro bilhões de reais, mas o Governo quer privatizar; sem uma justificativa lógica, sem um argumento plausível, sem escutar a categoria. Uma prova de que a CEMIG é uma boa empresa é que, em 2017, o lucro ficou em menos de um bilhão por ter sido mal administrada. É uma empresa que construiu Minas Gerais com o sacrifício de cada um de nós, trabalhadores e cidadãos”.
O vereador Chico Paulo (PT) defendeu a Moção de Repúdio e defendeu uma reação ainda mais ampla com a realização de Audiência Pública para discutir a iminente venda da CEMIG: “Sugiro que a gente faça uma Audiência Pública e chame o pessoal da CEMIG, representantes do sindicato e o povo que está sem luz, que é muita gente. Conheço mais de 1.500 pessoas em Lafaiete que estão sem luz por causa da burocracia. Alguém joga a culpa no Ministério Público, o Ministério Público joga a culpa no prefeito e a CEMIG não resolve. Por isso acho que a gente precisa abrir o leque e promover um grande debate, chamando, inclusive, os deputados que a gente conhece pra falar em nome da Assembleia”.
Com o apoio unânime dos 13 membros do Legislativo lafaietense, a Moção de Repúdio será encaminhada ao Governo de Minas.
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