Nesta noite de quinta-feira, meu amigo Silmar Raimundo de Andrade, o “Tindico” foi visitar o Azul. Ele tinha 53 anos e a notícia foi divulgada pelo site Lafaiete Agora. Com seu passamento amigos, familiares e a cidade de Conselheiro Lafaiete experimentam grandes perdas: os blocos Caricatos e do Boi perdem um grande artista, o Congado perde um devoto, o Movimento Negro perde um entusiasta, o Aimoré Esporte Clube perde um torcedor apaixonado e eu perco a oportunidade de continuar convivendo com essa figuraça sempre alegre, criativa e bem-humorada: um homem do bem.
Uma das últimas vez que o vi foi no Bar do Banha. Eu e o amigo José Carlos Seabra tomávamos um cafezinho quando Silmar chegou. Nos cumprimentamos com o costumeiro e afetuoso beijo no rosto e trocamos algumas palavras agradáveis. Silmar foi meu monitor nos Escoteiros na época do saudoso Toninho Pires. Entre tantos encontros tenho uma história singular para contar.
Quando eu criança, assistindo a uma missa no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, um desconhecido sentou-se ao meu lado. Um botão da minha camisa estava se soltando e, inusitadamente, o desconhecido apareceu com uma agulha e, em silêncio, costurou o pequeno rasgo na minha camisa. Era o Silmar. Nunca me esqueci da sensação inusitada naquele momento eucarístico. Depois de adulto tornamo-nos amigos e tivemos inúmeros encontros – inclusive, em momentos de boemia tomamos boas talagadas juntos.
O que me consola é ter sido seu amigo e tê-lo amado com sinceridade. Agora Silmar goza da companhia da Senhora do Rosário, São Jorge, Jesus Cristo, caboclos, pretos-velhos e orixás: certeza de que está em paz!
Agora preciso me deitar e chorar na cama… que é lugar quente.
Vagner Vieira
