Por unanimidade, os vereadores de Conselheiro Lafaiete aprovaram Projeto de Lei que cria a semana de conscientização sobre a necessidade de preservação dos mananciais do rio Bananeiras. O evento deve acontecer sempre na primeira semana de junho, coincidindo com as atividades alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e ao próprio Dia do Rio Bananeiras, comemorado desde 2014.

Autor da proposta, o vereador Oswaldo Barbosa (DEM) exibiu em plenário fotos para mostrar que a margem do rio, à altura da ponte da rua Dr. Campolina, no bairro São Sebastião, transformou-se em depósito de lixo a céu aberto. Ele explicou os objetivos do projeto: “Esta semana de preservação irá buscar, principalmente, a conscientização das crianças, através de um trabalho feito nas escolas, para mostrar a importância dos mananciais do rio Bananeiras, que é a fonte de abastecimento do nosso Município. Vamos apostar nas crianças porque, como mostram as fotos, parece que os adultos não têm compromisso com a preservação do meio ambiente”.

Mesmo obtendo apoio unânime, o projeto originou um longo debate em que foram apontados outros problemas que colocam em risco a sobrevivência do rio Bananeiras. A vereadora Carla Sassi (PSB) lembrou o esforço empreendido por grupos da sociedade civil na tentativa de reverter este quadro: “É de fundamental importância que o município tome a frente desta questão. Eu e o vereador Pedrinho integramos o Movimento das Águas, que, desde 2014, realiza um trabalho muito bonito na cidade promovendo eventos, manifestações e palestras educativas. Também estende faixas, principalmente na parte baixa da cidade, por onde o rio passa, e dá pra ver que muita coisa mudou. Mas, nos últimos anos no que diz respeito ao respeito e à conscientização da população sobre a importância do rio para a saúde de nossa cidade, parece que as pessoas ainda não se deram conta. Este trabalho tem de ser muito mais abrangente com a participação de mais escolas e o maior envolvimento do Município”, afirmou.

Líder do prefeito Mário Marcus, João Paulo Resende (DEM) admitiu que a capina às margens do Bananeiras não é feita regularmente em razão da equipe reduzida que presta o serviço. Dono de um estabelecimento comercial nas proximidades do Bananeiras, o vereador acompanha diariamente a agonia do rio, aniquilado pelo lixo jogado em seu leito: “No calor, ninguém suporta o mau cheiro; nas chuvas, o pessoal sofre com as inundações. Os rejeitos que o vereador Oswaldo fotografou, a gente convive com eles há muitos anos. A Polícia Militar aborda as pessoas que juntam papelão na margem do rio, mas não há o que fazer, pois é um espaço público e a gente fica refém dessas pessoas. Como disse o vereador José Lúcio, pessoas passam de carro e jogam lixo dentro do rio. O esgoto da maioria das casas da rua Marechal Floriano é descartado diretamente no leito. E a gente paga 95% a mais na conta para o tratamento de esgoto”, disse João Paulo.

A prestação de serviço da Copasa também foi questionada pelo vereador André Menezes (PR): “A Copasa disse aqui, em audiência, que 85% do esgoto de Lafaiete estava sendo coletado. Se está, como estes córregos estão cheios de esgoto? A gente observa que, antes de chegar à cidade, o rio é limpo, mas fica poluído no perímetro urbano. Me disseram que, onde já não tem esgoto, a água só vai ficar limpa mesmo e sem odor daqui a cinco anos”.
Fotos: Divulgação/Oswaldo Barbosa
