Os versos da lafaietense Janice Reis Moraes foram selecionados para integrar uma compilação de poesias que acaba de ser publicada em Portugal, terra de Camões e Fernando Pessoa, dois dos maiores bardos que a Humanidade já conheceu.
O trabalho de Janice está reproduzido no quarto volume da coletânea “Conexões Atlânticas”, que reúne criações de cerca de 60 autores portugueses e de diversos estados brasileiros. O lançamento oficial aconteceu no dia 28 de junho, no Palácio de Baldaia, em Lisboa. O livro faz parte do projeto “Infinita” (assessoria literária), dedicado a divulgar a literatura brasileira em Portugal e vice-versa. A poesia de Janice incluída na compilação é “Chora, Viola!”, que reproduz em versos uma cantoria animada pelas Violas de Queluz, projetando este patrimônio imaterial lafaietense em terras lusitanas.
Em Conselheiro Lafaiete a veia poética de Janice já é conhecida há muito tempo. Ela é sócia fundadora da Associação dos Moradores e Amigos da Região, que agrega os bairros Albinópolis e Angélica (AMAR) e colabora desde 2015 para edições da antologia “Lafaiete em Prosa e Verso”. Porém, a exemplo de poetas brasileiros famosos (como Carlos Drummond de Andrade, que foi funcionário público a vida inteira, e Vinícius de Moraes – diplomata, crítico de cinema e até censor federal), Janice usa a poesia para alimentar a alma enquanto provê as necessidades cotidianas trabalhando na Secretaria Municipal de Saúde.
A poeta lafaietense recebeu um exemplar da publicação portuguesa para divulgar na cidade o reconhecimento de sua produção literária.
CHORA VIOLA
Chora viola,
entoando uma moda
que canta a paixão
espanta a saudade
ou exalta o Divino
tocando o seu hino.
A saia que roda
no embalo da canção
gira alegria e irmandade
aqui e acolá, instrumento divino
preserva sua história,tocando um só hino.
Chora viola,
nas mãos do violeiro
que parece brincar
esse (en)cantador
que a viola conduz
nas terras de Queluz.
Boa roda, ajuntamento certeiro,
bem vinda a Portuguesa, a Potiguar
inviolada, caipira e todo bom tocador
fazendo esse som que seduz
com as violas de Queluz!
Janice Reis Moraes
