
O mais recente acidente registrado na região da Chapada, em que um caminhão de carvão tombou parcialmente e ficou escorado entre um poste e a parede de uma loja na rua Padre Lobo, repercutiu fortemente, entre os lafaietenses ontem e horas mais tarde, durante sessão ordinária desta terça-feira (18/06) da Câmara de Vereadores de Conselheiro Lafaiete. Embora ninguém tenha ficado ferido no acidente, diversos parlamentares subiram à tribuna para reiterar o que a imprensa tem alertado constantemente: a qualquer momento, acidentes como este podem provocar uma tragédia com vítimas fatais.
“Lavo minhas mãos”

O mais ferrenho crítico da situação foi o vereador Divino Pereira, que vinha de carro logo atrás do caminhão que tombou. Ao usar seu tempo na “Palavra Franca” para denunciar o perigo, ele reclamou que o prefeito Mário Marcus não ouve suas sugestões para desviar o tráfego de veículos pesados de dentro da cidade. Divino Pereira reiterou as críticas e queixas em entrevista ao Fato Real: “Cansei de insistir com o prefeito, mas agora lavo minhas mãos; não vou procurá-lo mais. A solução é limpar a estrada e jogar uma escória e asfalto. A gente até arruma o asfalto. São três quilômetros do Zé Ribeiro até o trevo do Rancho Novo e à Estrada Real e a Gagé. Não tem ponte pra fazer, nem morro pra contornar; não tem nada. Tenho a experiência de cinco mandatos como vereador, mas ele não quer atender meu pedido; então lavo as mãos”, desabafou.

Outro vereador que elevou o tom da crítica foi Sandro José. Estabelecendo uma relação entre os problemas do tráfego de caminhões de carvão e dos ônibus do transporte coletivo local. Falando especificamente sobre a iminência de ocorrências fatais nas imediações da rua Padre Lobo, Sandro José foi contundente: “De quem está sendo cobrado o prejuízo causado por estes acidentes? Vai se esperar que aconteça uma desgraça pra fazer alguma coisa? Se este caminhão de carvão tivesse tombado e houvesse pessoas ao lado, provavelmente elas teriam machucado”.
Fechando a série de críticas, o presidente da Câmara, vereador Fernando Bandeira, disse que, como parlamentar, acompanha esta situação há muito tempo e voltou a cobrar fiscalização sobre veículos que trafegam com excesso de carga: “Estive, há pouco tempo, no Ministério Público com moradores daquela localidade e fiz audiência pública nesta Casa. Portanto, a nossa parte está sendo feita. É muito fácil criticar através do Facebook ou atrás de um computador. Já passou da hora dessas pessoas que gostam de fazer a política do quanto pior, melhor, criarem vergonha na cara. Pensem que somos todos cidadãos lafaietenses, independentemente de bandeiras, e lutar pelo crescimento do nosso município”.
Falta atitude

Diante de tantos posicionamentos, pelo menos uma coisa fica clara: é preciso fazer alguma coisa; tomar uma atitude rápida, cobrar energicamente, a quem de direito, a fiscalização sobre estes caminhões. Não se trata de defender que carvoeiros e caminhoneiros percam o emprego e o sustento de suas famílias, mas de preservar a vida de quem mora ou trafega, de carro ou a pé, pelas ruas de Lafaiete, particularmente na região da Chapada. Trata-se, simplesmente, de fiscalizar o cumprimento da lei e respeitar o limite de permitido para o transporte de carga. E se não respeitar, que sejam punidos.
