
Familiares de detentos que cumprem pena no presídio municipal de Conselheiro Lafaiete estão preocupadas com mudanças recentemente implementadas pela direção do estabelecimento. A apreensão foi relatada em ofício endereçado ao juiz da Comarca de Conselheiro Lafaiete, Paulo Roberto da Silva. No documento entregue pelos parentes, à defensoria pública para chegar às mãos do magistrado, os presos se queixam da qualidade da comida servida diariamente, denunciam a superlotação das celas e afirmam terem sido vítimas de humilhação e maus tratos.
Sem sacolão

Familiares que tentaram visitar os presos nesta segunda-feira (20/05) foram impedidos de entrar no presídio, o que aumentou a preocupação e fez crescer os rumores de que estaria havendo um princípio de rebelião, o que as autoridades não confirmam.
A intenção das mães, esposas e companheiras era entregar o chamado sacolão, uma cesta de alimentos que os presos recebem semanalmente.
Familiares reclamam da decisão da direção do presídio de que, a partir de 1º de junho alimentos vindos de fora só serão permitidos de 15 em 15 dias e que, neste intervalo, os detentos terão de se contentar com a comida servida pelo sistema prisional.
Do lado de fora, o silêncio é total, ao contrário dos dias comuns, quando os parentes conseguem ouvir as vozes dos familiares vindas da carceragem. O clima de tensão foi relatado por uma familiar cuja identidade será mantida em sigilo: “Ontem a gente entrou e estava tudo normal. Mas os presos nos entregaram um ofício pra encaminhar ao Dr. Paulo Roberto reclamando de maus tratos lá dentro e porque, a partir do dia 1º de junho, as visitas vão passar a acontecer de 15 em 15 dias, quando a gente também vai poder entregar o sacolão. Eles não têm condições de passar tanto tempo lá dentro sem o sacolão e sem ver os familiares. O preso precisa da assistência e do apoio da família. Tem família que só pode vir uma vez por mês; e se a data não coincidir? Isso é desumano”.
