
Está marcado para as 9h desta terça-feira (16/04), no Fórum da Comarca de Conselheiro Lafaiete, o inicio da sessão do Tribunal do Júri que julgará Caíque Lucas Campos de Miranda. O réu responde à acusação de ter matado a namorada, Tatiane Kátia Gomes (23 anos), que estava grávida de cinco meses. O crime foi cometido há dois anos, na casa de Caíque em Rio Espera, e comoveu a cidade e toda a região.
Conforme Boletim de Ocorrência lavrado por ocasião do assassinato, ao constatar que a filha não havia voltado para casa em Lamim, os pais de Tatiane (foto) procuraram o quartel da Polícia Militar em Rio Espera relatando que ela saíra para encontrar o namorado e não retornara, como era de costume. Na tentativa de localizar a jovem, o casal se antecipou à polícia e foi até à residência do namorado dela, onde encontrou Tatiane inconsciente. Pensando que a filha estivesse se sentindo mal, os pais retornaram ao quartel para pedir ajuda. Porém, quando chegaram ao local indicado, os policiais confirmaram que ela havia sido assassinada por estrangulamento. Ao lado do corpo da vítima fora deixado um bilhete com os dizeres: “O filho não é meu”.
Dias depois, Caíque Lucas Campos de Miranda, que já estava com mandado de prisão expedido contra ele, se entregou à polícia em Lafaiete e confessou o assassinato. Ele foi indiciado por homicídio quatro vezes qualificado; uma das qualificações ao crime é o chamado feminicídio, quando a morte está diretamente ligada ao fato de a vítima ser mulher. Outro agravante é descrito como aborto provocado por terceiro, já que Tatiane esperava um filho quando foi assassinada. Se for condenado, Caíque Lucas pode pegar pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão.
Família
Ouvida pelo Portal de Notícias Fato Real, Silmara Gomes, irmã de Tatiane, contou em detalhes como foi o último dia de vida da jovem.
As duas trabalhavam juntas em um estabelecimento comercial em Lamim e chamou a atenção de Silmara as seguidas ligações telefônicas feitas pelo assassino à vítima: “Como 08 de junho era véspera de uma festa municipal aqui em Lamim, trabalhamos o dia todo e até fizemos hora extra. Me lembro que, o tempo todo, ela recebia ligações dele. Era quinta-feira e ela nem tinha planos de ir à casa dele, pois os dois já tinham ficado juntos no último fim de semana e voltariam a se encontrar no próximo. Por volta das oito da noite, como ele estava insistindo, minha irmã resolveu ir à casa dele em Rio Espera, mas me disse que seria uma visita rápida e que voltaria pra dormir com a família”. Perguntada sobre os motivos que teriam provocado o assassinato de Tatiane, Silmara afirmou que não imagina o que possa ter acontecido.
Justiça

Silmara Cássia Gomes acrescentou que, diante da dor provocada pela perda de Tatiane, a família quer justiça. O que mais indigna os familiares é o fato de a jovem ter sido assassinada grávida, bem como a brutalidade do assassino, que além de privá-los da presença da irmã e filha, tirou-lhes a oportunidade de conhecer a sobrinha e neta. Silmara descreveu Tatiana como um exemplo de amizade, amor e simpatia que distribuía generosamente a todos à sua volta.
Manifestação
Amigos e familiares de Tatiane Kátia Gomes organizam uma carreata que sairá de Lamim com destino a Lafaiete. O objetivo é promover uma manifestação pacífica em homenagem à jovem. Os participantes do ato exibirão cartazes e faixas e usarão camisetas estampando o rosto da jovem.
