
Mesmo com a comunidade escolar se mobilizando, e deputados como o lafaietense Glaycon Franco (PV) se posicionando contra, o Governo do Estado vai reduzir drasticamente o ensino em tempo integral em Minas Gerais.
A confirmação oficial veio da secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, nesta quarta-feira (10/4/19), dia em que uma Audiência Pública sobre o tema aconteceu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Júlia Sant’Anna informou que o programa de escola em tempo integral funcionará apenas em 500 instituições, este ano. De acordo com dados apresentados pela própria secretária, em 2018, 1.640 escolas funcionavam no regime de turno e contra turno, com cerca de 111 mil alunos. A partir de agora, o número será reduzido para 30 mil alunos.
O anúncio frustrou professores, diretores e deputados que ainda tinham esperança de que o corte anunciado pelo governo de Romeu Zema pudesse ser evitado.”Esperávamos discutir o assunto, ouvir propostas para a educação integral no Estado, mas isso não aconteceu, a discussão central da audiência foi desviada, por questionamentos relativos a ações do governo anterior”, lamentou a deputada ao final da reunião.
Júlia Sant’Anna disse que 500 escolas em tempo integral é o máximo que o governo pode manter agora. “Seria irresponsável de nossa parte dizer que continuaríamos com o programa dessa forma, sem recursos nem para a merenda escolar”, afirmou. Segundo ela, em 2018, foram repassadas verbas de merenda escolar para apenas quatro dias, dos 145 dias letivos que o ano teve.
“Queremos continuar recebendo esses alunos, com ou sem repasses para a merenda. Não podemos colocar quase 100 mil alunos nas ruas”, afirmou a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute), Mônica Maria de Souza.
O deputado Glaycon Franco (PV) se posicionou contra a redução. Não poderia concordar, sabendo da importância da escola em tempo integral, principalmente, se levarmos em conta os objetivos que nortearam a implantação deste sistema, ou seja: atender às regiões de vulnerabilidade social, onde os pais e mães precisam ter a tranquilidade de saber que os filhos continuam estudando, com segurança, alimentação e bem-estar garantidos, enquanto eles estão no trabalho, na maioria das vezes, distantes de casa”, afirmou.
Em Lafaiete, entre outras, oferecem o ensino integral as escolas : Arnaldo Rodrigues Pereira (Almeidas); Pedro Silva (São Gonçalo); Padre José Lobo da Silveira (Rancho Novo) e Romeu Guimarães (Gagé), Jair Noronha (Moinhos) e José Castellões de Menezes (JK). Com a decisão do governo do estado não se sabe ainda se alguma delas vai continuar oferecendo esta modalidade educacional.
Fotos: Ricardo Barbosa/ALMG
