Pela terceira vez uma criança da região participa do programa The Voice Kids, da TV Globo. O que coloca Lafaiete em destaque no cenário musical infantil nacional, já que elas passaram pela cidade para aprender mais sobre música. Igor Silveira, Lucas Vasconcelos e Giovana Rezende, além de terem sido selecionados, têm em comum o fato de conviverem na mesma escola de música, a Vivace, que fica no bairro Santo Antônio, em Conselheiro Lafaiete.
A escola, que hoje conta com aproximadamente 300 alunos, iniciou os trabalhos em 2007, quando a professora de piano e canto Márcia Assis convidou Matheus Baêta, professor de guitarra e violão para construírem juntos um projeto de ensino de música para todas as idades, e estreitar a parceria que já vinha desde 2004, quando cantavam em um coral produzido pela Márcia. Em entrevista ao Fato Real, eles contaram sobre o processo que levou alunos à seleção para o programa de relevância nacional.
The Voice Kids
Quando o assunto é o processo de seleção do programa The Voice Kids, os professores afirmam que não existe nenhum trabalho específico para o programa, o ensino é desenvolvido com a intenção de fazer com que os alunos aprendam e estejam sempre expandindo seus conhecimentos e técnicas musicais. Mas, depois da seleção das crianças, e com o desenrolar da competição, é necessário fazer um trabalho específico com os candidatos. Márcia explica: “Quando eles foram aprovados, além da técnica específica para cada instrumento, nós fizemos um trabalho com fonoaudióloga, professor de teatro para melhorar a presença de palco, um trabalho geral, necessário para o desenvolvimento do aluno nas apresentações”.

O primeiro aluno da escola Vivace aprovado foi Igor Silveira, e ele começou quando ele ainda era muito novo. Matheus contou que “a mãe do Igor já tinha levado o garoto a outras escolas de música, mas ele não gostou. Depois de uma indicação, ele fez uma aula experimental, e adorou. Ele tinha sete anos e já tinha um talento enorme. Isso era no fim de setembro, e como ele já era talentoso, ele pegou o violão e já estava cantando, e com dois meses de aula, eu o coloquei no evento da escola, com uma mega-estrutura. Ele tocou, foi muito aplaudido, e no ano seguinte, ele se inscreveu no The Voice.”

A experiência com o Igor ajudou o colega Lucas Silveira. Também aluno de Matheus, “o Lucas um dia chegou pra gente e disse que queria se inscrever no The Voice. A partir daí eu gravei um vídeo com ele, e quando ele passou, eu já tinha tido a experiência com o Igor, e nós fizemos o mesmo processo, um trabalho em conjunto para ajudá-lo a se desenvolver durante a competição. É muito gratificante ver a evolução do aluno, mesmo durante o programa. Nas primeiras apresentações ele estava nervoso, e depois ele foi se soltando”, contou Matheus.

Já Giovana Rezende é aluna de Márcia, e ela “já chegou à escola com a ideia de fazer um trabalho profissional. Ela chegou aqui com muito talento, já tocando viola, mas com a necessidade de aprimorar a técnica de canto”, relatou a professora. “Pergunto ao aluno qual é o objetivo dele e se a resposta é um projeto profissional, eu já direciono todo o trabalho pra isso. E o próprio método da escola proporciona ao aluno a experiência”. Como curiosidade, a professora contou que o pai da Giovana gravou um vídeo sem a intenção de utilizar para fazer a inscrição no The Voice Kids a escola mandou e passou pelo processo de seleção.
Mas, não é só a parte musical que importa para os professores. Eles explicaram que “uma das preocupações que nós temos é a parte psicológica. Nós conversamos muito com os meninos pra levar tudo como uma brincadeira. É claro que é necessário fazer um trabalho bem feito, mas também é preciso fazer amizades, aproveitar o momento, criar vínculos com as pessoas. Tentamos levar por esse lado, porque são crianças”.
Sobre a pressão de participar de um programa como esse, Márcia (foto) disse que “no caso do The Voice, quando eles sobem no palco, já é a sexta etapa, ou seja, muita gente não sabe, mas eles já passaram por cinco etapas que envolvem o Brasil inteiro. Por isso, eles já são vencedores, e a função deles ali não é ‘virar uma cadeira’, mas se apresentar da melhor maneira possível”.
A realização da escola

Ser reconhecido no cenário musical infantil é um feito importante para uma escola de música de Conselheiro Lafaiete, e para Márcia é “muito gratificante saber que o trabalho está sendo reconhecido e rendendo frutos, estamos vendo os meninos voarem. A gente faz com todo amor, estamos sempre estudando, trazendo coisas novas pra passar aos alunos”. Já Matheus afirmou que “o mais interessante é que fazem tudo com muito carinho, mas sem cobrar do aluno que ele se inscreva em qualquer programa ou concurso. Isso parte sempre deles.
A escola, que fica na Rua Professor Jair Noronha, 92 A, no bairro Santo Antônio, em Lafaiete, oferece cursos de viola, violão, guitarra, acordeon, bateria eletrônica, piano e teclado, canto e musicalização infantil, ministrados por nove professores. A escola disponibiliza ainda uma aula experimental para apresentar a estrutura e o método de ensino aos interessados.
Fotos The Voice Kids/Digulgação/Tv Globo
Fernando Ciríaco
Jornalista
