A barragem da Mina do Feijão, cenário da maior tragédia humana da história de Minas Gerais, causada pelo rompimento da contenção de rejeitos de minério no início da tarde desta sexta-feira (25/01), se situa na zona rural de Brumadinho. A cidade é filiada ao CODAP – Consócio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba, com sede em Conselheiro Lafaiete.

Além de um número ainda impreciso de vidas humanas, a avalanche de lama levou consigo plantações inteiras e criações que garantiam a subsistência dos pequenos agricultores residentes na Vila Ferteco e adjacências. Animais que não foram soterrados ficaram perdidos em meio ao mar de lama, sem ter onde se abrigar. Para ajudar a tratá-los, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG) anunciou que está reunindo uma força-tarefa de médicos veterinários para atuar no local.
Para fazer o resgate dos bichos, foi criada uma base de apoio ao lado do quartel-general montado pelo Corpo de Bombeiros. O deputado estadual Noraldino Júnior (PSC), que está no local explicou a dinâmica das ações: “Como houve a recusa do governador do estado em nos ajudar oferecendo aeronaves do estado, obtivemos do Corpo de Bombeiros a garantia de que as pessoas teriam prioridade, mas que não faltaria socorro também aos animais. Existem muitos animais agonizando em meio à lama, razão pela qual buscamos uma liminar na Justiça para assegurar que a Vale contrate imediatamente equipe e equipamentos capazes de resgatar todos estes animais, permitindo que o Corpo de Bombeiros dê prioridade às vidas humanas.”

A veterinária Carla Sassi, membro da ALPA (Associação Lafaietense de Proteção Animal) integra a força-tarefa que tenta salvar os animais da tragédia de Brumadinho. Já que não é possível o resgate de espécies de grande porte, como bois e cavalos, o grupo concentra esforços no salvamento de cães, gatos e outros bichos menores. Muitos bovinos, suínos e equinos ficaram semi-soterrados, com parte do corpo encoberto pela lama; como os resíduos vão se solidificando à medida em que o tempo passa, torna-se cada vez mais difícil libertar estes animais, que sofrem morte lenta e dolorida.
Em contato com o Portal de Notícias Fato Real, a veterinária, que também é vereadora em Conselheiro Lafaiete, descreveu a situação de momento na área próxima ao Córrego do Feijão: “Montamos um hospital de campanha para socorrer os bichos, muito próximo de onde os helicópteros chegam a todo momento trazendo corpos de pessoas vítimas da tragédia. É uma situação desoladora, impossível de descrever com palavras. Como veterinários, estamos fazendo a nossa parte acolhendo os animais, mais é impossível não nos deixarmos comover pela enorme tristeza que a comunidade inteira está sentindo”, declarou Carla Sassi, que informou que também estão na ação outros bombeiros civis da região que já atuara, juntos em tragédias anteriores, entre eles, Marylin (Congonhas) e Carlos Eduardo (Jeceaba).