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Tipos de abordagens no cuidado das pessoas com obesidade no SUS

A obesidade é uma doença crônica que atinge 41 milhões de pessoas no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde PNS/2020, sendo considerada um grave problema de saúde pública.  Do ponto de vista conceitual,  é uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que leva ao aumento de peso e provoca prejuízos à saúde justamente pela sobrecarga que gera ao organismo, além de se tornar fator de risco para outras doenças como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer.

Além disso, a maneira como a obesidade é vista pela sociedade pode levar a estereótipos e à discriminação. E é justamente nesse ponto que fica evidente como aspectos sociais e psicológicos do indivíduo podem ser afetados, para além da questão física.

Embora erroneamente vista como uma questão individual, a obesidade tem diversas causas, podendo ser genéticas, sociais, culturais, econômicas e ambientais.

Por esse motivo, um dos debates atuais no cuidado da pessoa com sobrepeso ou obesidade tem relação direta com os múltiplos fatores associados à sua determinação. Nesse sentindo, entender que a obesidade pode ser determinada por várias causas é um  ponto de partida necessário e importante para as abordagens de um cuidado integral.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a obesidade é considerada fator de risco e doença. Sendo assim, seu tratamento abrange enfoques individualizados, em grupo e socioambientais, para promover comportamento saudáveis, assim como um ambiente que proporcione a alimentação adequada e saudável e a atividade física.

Para qualificar a atuação de gestores, equipes e profissionais de saúde que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) para atenção aos casos de sobrepeso e obesidade, o Ministério da Saúde publicou o Manual de Atenção às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade no Âmbito da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), que traz um conjunto de recomendações e orientações para um cuidado centrado na pessoa e que considera as causas multifatorais da doença.

Os efeitos negativos dos estigmas 

De acordo com o manual, o estigma da obesidade se refere aos  comportamentos e ações que excluem, discriminam e menosprezam o corpo das pessoas com excesso de peso e as culpabilizam por essa condição , embora a obesidade possa ter vários fatores determinando seu surgimento e que independem da vontade individual.

O material aponta ainda que o preconceito, o estigma e a discriminação resultam em um efeito inverso. Ao invés de estimular a mudança, essas ações desmotivam e promovem até uma piora do quadro, principalmente do ponto de vista emocional. Quem passa por isso tende a procurar menos os serviços de saúde, tanto para essa como para outras condições, comprometendo o acesso à saúde como um todo.

Por esse motivo, o Manual do SUS tem a inclusão e o acolhimento como focos da abordagem das pessoas com sobrepeso e obesidade. Além de reconhecer que o ganho ou a perda de peso não é resultado apenas de escolhas individuais, as orientações se fundamentam na ideia de que todos são capazes de alcançar saúde e bem-estar, independentemente do peso corporal. Até porque a saúde e a qualidade de vida são os objetivos mais importantes.

O material tem suas ações baseadas na promoção da saúde do usuário com sobrepeso e obesidade e considera que a perda de peso é apenas um dos elementos e/ ou resultados do processo de cuidado das pessoas com obesidade, mas não o único. Vale reforçar ainda que, quando perder peso é o único objetivo ou o foco principal, os meios para alcançá-lo podem se distanciar do que se considera como atitudes saudáveis.

Por isso, a promoção da alimentação adequada e saudável e a prática de atividades físicas são estratégias fundamentais para o tratamento das pessoas com sobrepeso e obesidade, que não estão apenas sob a responsabilidade individual, mas que devem ser objeto de políticas públicas abrangentes e intersetoriais que possibilitem e estimulem tais práticas.

Cuidado às pessoas com sobrepeso e obesidade no SUS

A porta de entrada preferencial para o SUS é a Atenção Primária à Saúde (APS), onde  as pessoas com obesidade são identificadas pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e encaminhadas para a atenção especializada, se necessário, que também inclui  atendimento multiprofissional.

Para orientar os profissionais de saúde na atenção integral às pessoas com sobrepeso e obesidade, o Manual de Atenção às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade no Âmbito da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), apresenta, no âmbito do processo de cuidado, 5 componentes: identificação do usuário; abordagem inicial e acolhimento; abordagem individual; abordagem transversal; e abordagem coletiva:

– Identificação do Usuário: pode ser feita durante qualquer contato do indivíduo com a equipe de saúde (demanda espontânea, consultas programadas, atividades coletivas, registros do Programa Auxílio Brasil , busca no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN).

– Abordagem Inicial e Acolhimento: pessoas com sobrepeso ou obesidade se sentem estigmatizadas e muitas vezes a abordagem pode reforçar esse sentimento. Por isso, o acolhimento e a abordagem inicial devem evitar a culpabilização do indivíduo e considerar a importância do cuidado centrado na pessoa.

– Abordagem Individual: As abordagens individuais são aquelas realizadas em consultas com equipe multiprofissional de acordo com as demandas e necessidades específicas de cada indivíduo.

– Abordagem Transversal: A abordagem transversal se configura como um conjunto de ações de promoção da saúde e assistência multiprofissional e intersetorial. Os processos de cuidado transversais incluem: Prática de atividade física; Práticas Integrativas e Complementares (PICS), como yoga, auriculoterapia e tai chi chuan; Apoio psicológico e abordagem familiar;

– Abordagem Coletiva: Atividades em grupo especificamente direcionadas para o cuidado de pessoas com obesidade, visando melhorar a qualidade de vida delas por meio da mudança de comportamento, adoção de alimentação adequada e saudável, prática de atividade física, redução  ou manutenção do peso corporal.

Conheça a ferramenta 5As

Pensando na inclusão e no acolhimento das pessoas que buscam tratamento para a obesidade nas unidades de saúde, a ferramenta 5As desenvolvida no Canadá aponta aspectos importantes que podem ser incorporados na rotina de cuidado das pessoas com sobrepeso e obesidade. Os 5As, descritos no manual do SUS, referem-se a cinco palavras que, traduzidas em ações, direcionam a abordagem no encontro entre profissional e usuário:

– Aborde/Pergunte se você pode discutir o peso naquele momento e identifique a prontidão para mudanças;

– Avalie os riscos relacionados à obesidade e as causas raízes da obesidade;

– Aconselhe sobre riscos para a saúde e opções de tratamento;

– Acorde com o usuário os resultados de saúde e metas do tratamento;

 Ajude no acesso a recursos e serviços apropriados para a condição clínica existente.

Qual é o melhor caminho para uma vida com mais saúde? 

Para alcançar esse objetivo, algumas mudanças no dia a dia podem fazer a diferença. E para quem está acima do peso e busca perdê-lo, vale lembrar que mesmo uma pequena porcentagem de perda já representa mudanças metabólicas significativas e se converte em aumento da qualidade de vida.

A adoção de hábitos saudáveis é o principal caminho para a manutenção de um peso corporal adequado e também para a prevenção de várias doenças. E o primeiro passo para essa mudança passa inevitavelmente pela alimentação adequada e saudável. Quando associada a uma vida mais ativa fisicamente, os ganhos são ainda maiores.

Para promover a alimentação adequada e saudável e a prática de atividades físicas, o Ministério da Saúde desenvolveu a funcionalidade Peso Saudável no aplicativo ConecteSUS, que apresenta um programa de 12 semanas que estimula a adoção de hábitos saudáveis e mudanças comportamentais, sendo uma estratégia de autocuidado apoiado. Acesse agora!

Além disso, orientações importantes sobre a alimentação adequada e saudável também podem ser encontradas no Guia de Atividade Física para a População Brasileira, que reúne um conjunto de informações e recomendações sobre alimentação que contribuem para a promoção da saúde de pessoas, famílias e comunidades e da sociedade como um todo.

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