
O risco representado pelas barragens de rejeitos minerais foi discutido nesta terça-feira 29/01 também em Conselheiro Lafaiete. Moradores da região de Água Preta e dos bairros Morro da Mina, Capela da Paz e Manuel de Paula, vizinhos à mina de manganês explorada pela Vale, buscam informações concretas sobre a barragem existente no local.
A reunião foi realizada no bairro Morro da Mina e contou com a participação de moradores, representantes do Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema), da Sociedade Regional de Engenharia e Arquitetura (Sorear), Federação das Associações de Moradores de Conselheiro Lafaiete (Famocol) e os vereadores Pedro Américo (PT) e Fernando Bandeira (PTB). O vereador Divino Pereira (PSL), apesar de ser morador do bairro Morro da Mina e residir há poucos metros de onde ocorria a reunião, não compareceu.
Medo
Moradora do bairro Morro da Mina há quase 50 anos, Lúcia Helena Ferreira Bastos falou da enorme preocupação compartilhada por ela e os vizinhos: “Moramos na rua Nossa Senhora da Conceição, a principal do bairro, e a companhia fica atrás dela. Alguns anos atrás chegaram a dizer que havia minério até debaixo das nossas casas. Quando houve a tragédia de Mariana já ficamos preocupados e agora, com o que aconteceu em Brumadinho, a preocupação aumenta. Disseram que, se ocorrer um vazamento, não vai atingir as casas, e sim, a Escola Meridional, que um dos nossos orgulhos do bairro. Pense na quantidade de crianças que estudam lá! Já tem pais querendo tirar os filhos da escola e até moradores pensando em mudar do bairro por causa do medo. ”
Dúvidas
A comunidade do Morro da Mina não tem acesso, sequer, às especificidades técnicas oficiais para saber se o que existe no bairro é realmente uma barragem ou uma bacia de contenção de rejeitos sólidos de manganês, que teria proporções menores. Num estudo elaborado em 2017, a Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM) aponta a existência em Minas de 50 barragens sem garantia de estabilidade e lista entre elas a Vale Manganês. Porém, o diferencial em relação á barragem que se rompeu em Brumadinho é que a de Lafaiete não acondiciona restos de minério e, portanto, não se enquadraria no risco de provocar uma avalanche de lama.
Visita
Ao participar da reunião desta terça-feira, o presidente do Codema, Oliveiro Parreira, ressaltou a boa-vontade da empresa Vale em atender o órgão e disse que pretende, nos próximos dias, fazer nova visita à empresa em busca de mais informações: “Estou há 15 anos como conselheiro voluntário do Codema; sempre fomos bem recebidos pela Vale, que nunca nos barrou, e eles mostram as coisas pra gente. O conselho tem a participação de engenheiros civis e de Minas e eles vão novamente analisar o projeto e olhar a barragem. O Conselho recebeu do Ministério Público documento em que a Vale informa que a capacidade da represa está se esgotando e ela deixará de ser usada. Só que a barragem de Brumadinho deixou de ser usada há três anos, mas estava correndo água por cima dela e foi por isso que ela se rompeu. ”
Poder público
Após um amplo debate que expôs as principais dúvidas da comunidade, foi formada uma comissão que será recebida nesta quinta-feira (31/01) pelo promotor do Ministério Público, Glauco Peregrino.
Os vereadores Pedro Américo e Fernando Bandeira informaram que a Câmara Municipal vai convocar audiência pública, provavelmente, para o próximo dia 08 de fevereiro, a fim de discutir as condições em que se encontra a barragem Vale Manganês. Para facilitar a participação dos moradores a audiência deverá ocorrer no bairro Moro da Minas, nas dependências da escola Meridional. Data e horário serão confirmados e divulgados.
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