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A última vez que vi ganhar uma campanha que nada explica

24 de outubro de 2026
in Gerais
A última vez que vi ganhar uma campanha que nada explica
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Era a primeira eleição após a promulgação da Constituição de 1988. A primeira em que poderíamos votar e sermos votados em uma eleição direta para presidente.

O país, em polvorosa e ainda inexperiente na avaliação de candidatos, tinha entre os principais concorrentes o vencedor do pleito, Fernando Collor de Mello, economista; além de Leonel Brizola, engenheiro; Mário Covas, engenheiro; Paulo Maluf, engenheiro; e o mesmíssimo Luiz Inácio Lula da Silva, sindicalista e deputado desde 1986.

Collor, filho de uma família tradicional endinheirada de Alagoas, ganhou prometendo uma hipotética caça aos ‘marajás’ — servidores públicos com supersalários —, o combate à corrupção e à inflação. Falou muito em preservar a democracia. Em melhorar a vida do brasileiro. Mas nunca explicou como. Jamais disse de que maneira faria.

O brasileiro, ainda sob os efeitos da ditadura recém-falecida, foi facilmente conquistado pelo quarentão considerado bonito, bem-vestido, fluente em inglês, viajado… e caiu no conto do sabiá. Rapidamente, arrependeu-se quando a recém-nomeada Ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo, economista, em uma canetada, reteve o dinheiro de uma vida inteira depositado na poupança, na ideia de que impedir a circulação de dinheiro faria a inflação baixar.

Causou o caos e a loucura. Houve de tudo: de infarto a suicídio, tudo regado com muitas falências em virtude de uma estratégia não anunciada. Quem teria votado nele se soubesse? Mas ele sabia o que faria, claro. Só não dizia. Em pouco tempo sofreu impeachment. Ainda hoje se fala do tamanho do estelionato eleitoral.

Corta para 2026. Estamos aqui, frente a uma eleição com um candidato que também figurou em 89, o Lula. E veja que coisa: seu oponente é de uma família envolvida nos emaranhados da política do Rio de Janeiro. Tem por volta de 40 anos. Alguns consideram bonitão. O discurso? Parecidíssimo com o de tempos atrás: combater supersalários e a corrupção. Com isso, controlar a inflação. Fala em preservar a democracia. Em melhorar a vida do brasileiro.

Como? Quais estratégias? Ninguém sabe. Ninguém viu. Porque, segundo o candidato, não haverá cortes. Nem para pobres e nem para ricos. Os únicos cortes para cobrir o tal “tesouraço” de 1,5% do PIB, algo em torno de R$190 bilhões, seriam nas mordomias de políticos, do judiciário e nas viagens de Lula e Janja. Tudo isso marinado com impostos mais baixos.

Primeiramente, se ele ganhar, de cara, já não tem mais viagens de Lula e Janja. Mas o que salta aos olhos é que cortes nas benesses de servidores com supersalários e mordomias de juízes não cobrem o rombo proposto. Mesmo porque, ele garantiu que servidores públicos necessários estarão com seus empregos garantidos. Mesmo na remota hipótese desses cortes acontecerem, não somam os 190 bi.

Então, ou ele vai cortar dos ricos ou de você, classe trabalhadora, que não poderá fazer nada senão reclamar. Porém, sabemos que ele é o candidato da Faria Lima, dos grandes empresários. Ele é o candidato do Vorcaro, que, inclusive, pediu a transferência de seu título para a Papuda.

Então, classe trabalhadora: fique atenta. Porque, em tempos de recessão econômica e planos surpresa de presidentes eleitos, existe algo que nós, trabalhadores, fazemos além de reclamar: sofremos as duras consequências com a queda de nosso poder de compra, perda de empregos, falência de serviços públicos.

E veja: a classe trabalhadora também inclui empresários cujos nomes não são Safra, Abravanel, Sicupira, Marinho – ou outro semelhante. Esses, se tudo der errado, fogem pra Miami.

Você, se tudo der errado, volta para a casa da sua mãe para viver da aposentadoria dos seus pais.

Fontes

FERRARI, Wallacy. Desespero nacional: o confisco das poupanças no Plano Collor. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/desespero-nacional-o-confisco-das-poupancas-no-plano-collor.phtml

Entre infartos, falências e suicídios: os 30 anos do confisco da poupança. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/03/17/entre-infartos-falencias-e-suicidios-os-30-anos-do-confisco-da-poupanca.ghtml

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